quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Desaforamento (no L 4 das Ord. Filipinas)


 A hipótese de “desaforamento” era mencionada no Livro 4 das Ordenações Filipinas (Título LXXIII), talvez com um sentido um pouco diferente do atual. Mas a nota de rodapé apresenta o sentido jurídico contemporâneo:

TÍTULO LXXII.

 Dos contratos desaforados.

 Se alguma pessoa em qualquer contrato prometer dar, ou fazer alguma coisa a tempo certo sob certa pena, e não a dando, fazendo, ou pagando ao dito tempo, que logo seja feita execução em seus bens sem ele mais ser citado, nem ouvido com seu direito, mandamos que tal desaforamento [1], não valha, posto que logo assim a tal convença seja julgada por sentença, e que sem embargo de tal contrato e sentença, se não faça execução per ela, até o condenado ser chamado e ouvido com seu direito sobre essa execução.

 

[2] Desaforamento, i. e., renúncia ao foro ou direito introduzido a favor do que fez contratos desaforados.

Desaforar-se: renunciar ao foro do domicilio, privilégio, ou da natureza da ação, e causa, e ordem judicial. Renunciar o réu à demanda, que o autor lhe havia de mover para o executar, ou fazer cair em comisso.