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Mostrando postagens de outubro, 2009

Censura

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No mais das vezes em que são relatados fatos envolvendo a censura do regime militar, o cenário são as grandes cidades da época, onde se concentravam os artistas profissionais e a grande imprensa. Mas a censura adentrava capilarmente pelo país, atingindo cidades relativamente pequenas, como era o caso de Itajaí na década de 70. Nosso grupo de teatro (FOLK) encenava e escrevia (ou adaptava) as peças que apresentava. Uma das que escrevemos foi "Apocalipse, o Julgamento Maior". Assim, além de escrever, montar e ensaiar as peças (tudo com a permissão dos nossos pais, pois éramos adolescentes), ainda havia que submetê-las à censura. E, para isso, os que eram maiores de 18 anos deviam assinar como autores, pois a censura não aceitava menores escritores. De Itajaí a peça ia a Brasília. Mas entregávamos na Polícia Federal, que tinha uma Delegacia em Itajaí. Na volta, vinham os cortes. Coisas que não entendíamos porque, eram cortadas, sem maiores explicações. Até porque o censor não pr...

ENESC

O fato de eu ser Secretário do Grêmio me tornava - junto com os demais membros da diretoria - um representante dos alunos e candidato preferencial a participar de eventos fora do Colégio ou da cidade. Foi por esta razão que, em meados de 1972, fomos para Florianópolis participar do I Encontro de Estudantes Secundaristas Catarinenses. A grande discussão era a instituição do ensino profissionalizante no 2º grau. A entidade promotora do encontro era um certo CECUCA (Centro de Cultura Catarinense). Hospedei-me na casa de minha irmã e levei junto um colega do movimento estudantil (hoje penso no quão aborrecido para ela deve ter sido hospedar aqueles dois adolescentes). Como todo encontro de estudantes, o evento se desenvolvia meio secretamente e num clima de apreensão. Além disso, havia temas proibidos e termos permitidos. Falar em temas proibidos podia significar problemas, aí incluído o sumiço do falante (e até do ouvinte). Pois bem, ao fim do encontro, Itajaí foi escolhida para sediar o ...

GESI 2

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O GESI (Grêmio Estudantil Salesiano Itajaí) tinha uma atuação que extrapolava o âmbito do Colégio Salesiano Itajaí. Apesar de sua fundação datar de 1961, foi em 1968 que seu campo de ação se estendeu pela cidade de Itajaí/SC. Creio que isso se deveu, principalmente, ao espírito inovador e incentivador do Padre Heriberto José Schmidt. Mas, ou porque o Pe. Schmidt soube escolher os alunos para dirigir o grêmio, ou pelo talento daqueles alunos, o fato é que esta expansão foi comandada por Dagoberto Blease Jr (presidente do GESI em 1968), que teve em Renato Borba um destacado secretário. Na época eu tinha 10 ou 11 anos e Dagoberto e Renato deveriam ter 17 ou 18 anos. Se eu era uma criança, os dois eram meninos. Na minha visão, porém, eram homens feitos. A grande realização de 1968 ou 1969 foi a FECOLI (Feira Colegial do Livro - fotos acima). Era realizada na Galeria Rio do Ouro e ganhava destaque na cidade durante a semana em que se realizava. Itajaí devia ter algo em torno de 60 mil habit...

GESI

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O GESI (Grêmio Estudantil Salesiano Itajaí) foi um período marcante de meus tempos de política estudantil. Foi o primeiro grande sonho e a primeira grande frustração. Eu era secretário e almejava ser presidente. Era tradição que só se elegia quem fosse candidato pela situação. Por motivos que até hoje não conheço com certeza, não fui candidato pela situação. Uma das versões atribuiu o veto à candidatura pela situação a um pedido de meu pai ao diretor do Colégio, preocupado que estava com o forte "stress" (o termo não era conhecido na época) que a política estudantil me causava e que, talvez, tenha sido uma das causas de duas convulsões que tive por aqueles tempos. Mas não sei se este pedido ocorreu, pois meu pai - nos 4 anos que viveu após a eleição - nunca me confirmou. Enfim, candidatei-me a presidente do Gesi pela oposição e perdi a eleição. Fiquei numa tristeza imensa. Tinha, então, 16 anos (corria o ano de 1973) e o fato me abalou e marcou muito. Mas a política estudanti...

Suspensório

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Uso suspensórios. É cômodo e confortável. Minha mãe dizia que há pessoas que veem a moda como lei. Creio que sim, pois suspensórios de abotoar (como os da foto acima) são mais funcionais e seguros que os de garrinha. Pouquíssima gente usa no Brasil (vejo muito em filmes), donde a moda de não usar suspensório parece ser lei. Talvez por isso, já procurei suspensórios de abotoar de norte a sul do Brasil e só encontro os de garrinha. Já me prontifiquei, junto aos comerciantes que procuro, a garantir a compra do produto. Mas nada! Durante algum tempo, o Correia me quebrou uns galhos e fabricou suspensórios de abotoar ou consertou uns antigos que eu tinha. Pois bem, bastou eu chegar num aeroporto como o de Nova Iorque ou o de Lisboa, que nas próprias dependências do setor de passageiros achei uma loja que vendia suspensórios de abotoar. Na Espanha, encontrei os tais suspensórios na primeira loja do El Corte Inglês que entrei (Santiago de Compostela - que poderia ser Santo Iago também). Quand...

Faixa de Segurança

A experiência tem me mostrado que caminhadas curam mau-olhado, arca caída, ziquizira, zipra, cobreiro, carne rasgada e nó nas tripas. E são um santo remédio para baixar a glicose e o colesterol. Caminho desde os 32 anos. Mas vez por outra tiro férias de caminhadas. Desde que, porém, no começo deste ano, as taxas de glicose e colesterol chegaram no alerta amarelo, suspendi as férias de caminhadas por tempo indeterminado. E caminho quase que diariamente. E diariamente atravesso ruas, sempre pela faixa. No trecho que uso em Blumenau (Praça dos Estudantes, Rótula da Proeb, ops, Vila Germânica) a faixa de pedestres, é vista como ornamento pelos motoristas. O costume não é só de Blumenau, conforme constatou a RBS . Mas se são raríssimos os motoristas que param pra gente atravessar, mais raros ainda são os guardas de trânsito no local. Como existe a prisão especial no Brasil, existe também o tratamento especial aos bandidos do trânsito: espera-se que ajam segundo a consciência e não por medo ...

Ladrão de Galinha

Ainda hoje se usa a expressão "ladrão de galinha" para descrever o pequeno ladrão, o ladrão de coisa pequena. E daí partir-se para a "denúncia" de injustiças: prende-se o ladrão de galinha, mas se solta o grande criminoso, que se apropria de fortunas. Na verdade, nem sempre o ladrão de galinha é inofensivo. Escutei muitas vezes minha mãe contar sobre os estragos que os ladrões de galinha faziam na pacata cidade de Itajaí/SC, nos idos de 1932: de manhã cedo, os vizinhos contavam uns aos outros sobre as galinhas furtadas na noite. Numa destas noites, meu avô saiu de casa, em ceroulas, com uma espingarda na mão, dando tiros para cima, tentando espantar os larápios que estavam pondo o galinheiro em pânico. Dias depois, contava ainda minha mãe, sabia-se de alguém oferecendo galinhas, que transportava numa carroça cheia delas; ou então corria a notícia de um lauto almoço, para animado grupo de amigos, onde o prato principal eram galinhas em abundância. Vê-se que o ladrão...

Benjamim

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Um dia precisei de um benjamim. Benjamim é um bocal de lâmpada com uma tomada elétrica fêmea que se acopla em outro bocal. Assim, tem-se luz e tomada elétrica a partir da instalação de um bocal de lâmpada (ver a foto acima). Pois bem, fui em várias lojas especializadas procurar pelo benjamim e nada. Muitos disseram que o governo os havia proibido. Não desacreditei, pois fomos proibidos de comprar álcool líquido por um ato administrativo (e isso não pode, em face do princípio da legalidade, constante do art. 5º, II, da Constituição: Ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei .). Ato administrativo não é lei: só é lei a norma aprovada pelo legislativo e sancionada pelo executivo. Pois bem, sumido o produto, desisti de procurá-lo. Um ano depois, bisbilhotando lojas de materiais elétricos, encontrei benjamins em abundância. Fui pesquisar até nas lojas que não tinham um ano antes, e todas estavam vendendo benjamim. Não procurei saber se a proibiç...

Lentidão da Justiça

A preocupação com a demora da Justiça não é de hoje. No Século XIV, o Rei Português D. Afonso IV (que reinou de 1325 a 1357) atribuiu aos Advogados a causa da demora na tramitação dos processos. E fez a seguinte Lei: Dom Afonso pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve, a todas justiças dos meus reinos que esta carta virem, faço-vos saber que a mim é dito que tanto na minha corte como em meus reinos se faziam prolongadas demandas e muitas malícias e desvairios nos feitos que havia entre as partes, e que todas as malícias e prolongamentos se faziam pelos advogados e procuradores, e isto é a desserviço meu e de meu reino e de minha terra, e eu, para tirar estas malícias e virem os feitos mais asinha a ponto de direito, tenho por bem e ponho por lei para sempre que daqui em diante não haja advogados nem procuradores ...(Ordenações Del-Rei Dom Duarte. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1988, p. 549). Mas seu neto, Dom Afonso V, em 1456, permitiu, novamente, o exercício da advocaci...

Roda dos Expostos

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A foto acima é da roda dos expostos, localizada nas imediações de Recife - PE. A parte de dentro da portinha é um armário giratório: quem coloca alguma coisa do lado de fora, não é visto por quem recebe, do lado de dentro, pois, para pegar o que é posto no lado de fora, precisa-se girar o armário. Ali eram postos alimentos para os religiosos se alimentarem; e crianças abandonadas (denominadas expostos ), para os religiosos cuidarem. Os problemas com menores abandonados não são de hoje, mas já datam da época da colônia, ou seja, desde 1603, se considerarmos as Ordenações Filipinas, ou desde 1521, se considerarmosas Ordenações Manuelinas. Eram comum, portanto, a Brasil (a colônia) e a Portugal (a metrópole), já que as leis eram feitas para aquela realidade metropolitana. Quem era órfão - No Livro 1, Título LXXXVIII das Ordenações Filipinas (em vigor até 1916, no Brasil, na parte do Direito Civil), eram considerados órfãos o menor de 25 anos cujo pai morria. Quem faria o inventário do d...

Nova Lei do Mandado de Segurança

Sempre achei uma perda de tempo e dinheiro público o Ministério Público opinar em Mandado de Segurança. Aliás, toda a função de parecerista do Ministério Público é uma inconstitucionalidade e uma perda de tempo. Agora, com a nova Lei do MS, tenho arguido a inconstitucionalidade da Lei 12.016 em todas as ações de Mandado de Segurança. A petição é assim: EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA ... VARA FEDERAL CÍVEL DE BLUMENAU/SC. O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelo Procurador da República signatário, vem ante Vossa Excelência, nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.72.05.00xxxx-x, na defesa da ordem jurídica, arguir a inconstitucionalidade do art. 12 e seu parágrafo único da Lei nº 12.016/2009, conforme segue: 1. Trata-se de Mandado de Segurança preventivo no qual a Impetrante pleiteia, inclusive em sede liminar, o não recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de aviso prévio indenizado, compensando as importâncias já pagas a esse título. 2. Não...

Do Pará para Blumenau

Mônica morava em Belém e, por causa de amores, veio habitar em Blumenau. Foi minha aluna. Contou-me que, ao chegar aqui, nunca tinha usado um casaco sobre uma blusa de mangas compridas. No Pará é muito quente para usar tanta roupa. Sua dificuldade era vestir o casaco por sobre a blusa de manga cumprida, pois a manga do casaco arregaçava a da blusa, que ficava incômodamente engrouvinhada na região do bíceps. E pior: a manga engrouvinhada incomodava muito (como se sabe) e Mônica (também como se sabe) não conseguia arrumá-la sem tirar o casaco. E se tirasse o casaco, a manga engrouvinhava ao colocá-lo de novo. Até que um dia Mônica viu um nativo de Blumenau (poderia ser qualquer nativo do Sul do Brasil) vestindo um casaco por sobre uma blusa de manga comprida: ele segurou com a ponta dos dois dedos maiores da mão a manga da blusa e vestiu o casaco. - Ah, percebeu Mônica, então é assim que eles vestem o casaco quando estão de manga comprida... Nunca mais teve este tipo de problema.

Brasil e Portugal

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Um dia, passando as imagens do cartão da máquina para o computador, mostrei uma foto de Salvador/BA para a moça da recepção do hotel em Lisboa. Não lhe disse que cidade era e a moça não conhecia o Brasil. Perguntei-lhe de onde pensava que era a foto e ele me disse que seria de uma cidade de Portugal, cujo nome não gravei. Quando se está em Portugal, a gente tem a agradável sensação de estar viajando, conhecendo outros lugares, no caso outro país e outro continente, mas falando a nossa língua (ou melhor, a deles, o idioma português). A arquitetura lembra muito as construções mais antigas do Brasil. As fotos acima mostram as semelhanças (duas fotos tiradas no Pelourinho, em Salvador e, no meio delas, Lisboa - esta tirada de dentro do elétrico - e, abaixo, Porto). Há algumas dificuldades, às vezes, na língua: peúga é meia; chávena é xícara; elétrico é bonde e cueca é calcinha. Moço é um termo ofensivo; puto, não.

A Caverna do Morcego

A Caverna do Morcego fica em Itajaí, entre a praia de Cabeçudas e a Praia Braba (Braba, foi assim que aprendi a chamá-la). Não sei como está hoje. A visita que vou narrar foi em 1974. Ia-se a tudo de bicicleta. Então, saímos de Itajaí e fomos a Cabeçudas. Lá, no fim dapraia, perto do Iate Clube, subia-se o morro do Farol. A passagem era livre para carros até um pedaço e o trajeto todo estava liberado para pedestres e ciclistas. A partir de um ponto, havia um portão colocado pela Marinha, proibindo que se seguisse de carro. Naquele tempo da ditadura militar era assim: a Marinha cismava de dizer que o Farol era um ponto estratégico, importante para a segurança nacional e pronto, o acesso ficava restrito. Mesmo porque "Segurança Nacional" é uma expressão muito vaga, pois era de comum sabença que, até um bicho no pé do então General Presidente da República poderia comprometer a segurança nacional. Então subimos o morro, atravessamos pelo lado do portão que permitia a passagem de...

Vida e Arte 2 - Novelas e Impostos

Como já disse em Vida e Arte 1, a arte precisa ter verossimilhança. Então, quando um personagem vai vivenciar situações previstas em lei, o enredo precisa seguir o que a lei manda, sob pena de perder a credibilidade, que, em arte, se chama verossimilhança. Na novela "das 8" do momento, um personagem deve tributos e teme ser chamado pela Receita Federal. Mas, entre os tributos que deve, está o IPTU. E fica dizendo que a Receita Federal vai cobrar o IPTU. Talvez boa parte dos telespectadores nem ligue para isso. Mas qualquer bacharel em Direito que tenha frequentado regularmente e faculdade e estudado o mínimo para receber honestamente seu diploma, sabe que o IPTU é um imposto arrecadado pelo Município e só o Município pode cobrá-lo. O personagem também demonstra muito medo de ser preso por não pagar tributos. A Constituição faz uma lista de tributos e quem pode cobrar o que. E o Código Tributário Nacional traz alguns conceitos. Segundo a Constituição, são impostos da União (...

Roubo e Furto

Aula de inglês. A professora ensina duas palavras novas: theft e robbery . Em inglês, diz ela, diferentemente do português, há duas palavras para definir roubo: theft , que quer dizer roubo e robbery , que quer dizer assalto. A professora de inglês não era uma ignorante. Tinha razoável cultura e fazia o tipo que chamamos de "pessoa esclarecida". Não entendi como podia cometer um erro daquele. Impaciente, levantei a mão e tentei explicar: - Professora, em português não existe roubo e assalto, mas sim furto e roubo. Como na língua inglesa. Furtar é tirar alguma coisa de alguém, sem violência ; roubar é tirar alguma coisa de alguém, com violência . O furto destá definido no artigo 155 do Código Penal Brasileiro e o roubo no artigo 157: Furto Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Roubo Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois d...

Shopping Center e Idade Média

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O shopping center é um lugar confortável. Não há mendigos, flanelinhas, nem gatunos. Pode-se andar tranquilamente vendo as lojas e sempre há um segurança para resolver problemas.Talvez aí resulte o êxito dos shoppings. Na verdade, creio que as cidades medievais, muradas, devem ter sido o embrião dos shoppings. Veja-se a foto acima: é a cidade de óbidos, em Portugal. Só se entra por portas e é possível controlar quem entra e quem sai. Na Idade Média (no caso, Século XIV), com guardas andando pelas muralhas (há um passadiço na parte de cima da muralha, como se vê na foto), tudo podia ser visto e controlado lá de cima. Em Portugal, no tempo das cidades muradas, o comandande da "polícia" era o Alcaide. O nome Alcaide durou até 1808, quando foi criado, já com a Corte no Rio de Janeiro, o ofício de Chefe de Polícia. O Alcaide era auxiliado pelos Quadrilheiros (que era a o nome da polícia, na época). Para ler sobre o Alcaide no livro 1 das Ordenações Filipinas, clique aqui e, para ...

Cobras no Ônibus

Ontem fui a uma audiência para ouvir testemunha. Era uma Carta Precatória Criminal vinda de Uruguaiana/RS (ainda persistem no erro de chamar Ministério Público de Justiça Pública). Carta Precatória é um documento que um Juiz manda para outro, com a finalidade de ser praticado um ato judicial (num processo que corre em Uruguaiana, se for o caso de ouvir uma testemunha em Blumenau, vai a Carta Precatória, que é uma delegação de competência do Juiz de Uruguaiana para que o Juiz de Blumenau, para que este ouça a testemunha). O caso ocorreu perto de Passos de Los Libres, mas ainda no lado brasileiro. O Réu foi pego transportando para a Argentina animais silvestres, no mês de julho de 2006 (crime do art. 29, § 1º, III da Lei nº 9.605/98). Mas o processo ainda está tramitando. Estes animais eram levados numa mochila e o Réu viajava de ônibus. Eram os seguintes os animais: 4 ceratophrys cf. Aurita, 5 chelydra serpentina, 1 rhinoclemmys punctularia, 3 diploglossus lessonae, 1 corallus hortulan...

Contrabando e Descaminho

Muito se usa a palavra contrabando e pouco a palavra descaminho. Contrabando é importar ou exportar mercadoria proibida (importar certas armas, por exemplo, para uso particular) e descaminho é importar ou exportar mercadorias sem pagar impostos. Note-se que o código também menciona o "consumo", mas esta hipótese tem sido tratada pela Lei nº 8.137/90. O contrabando e o descaminho estão definidos no art. 334 do Código Penal: Contrabando ou Descaminho Art. 334 Importar ou exportar mercadoria proibida ou iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria: Pena - reclusão, de um a quatro anos. O nome "contrabando" vem de "contra o bando", porque "bando" era uma norma jurídica. As menções que tenho visto relativamente à palavra "bando" como norma jurídica, referem-se a atos regulamentares de Governadores de Capitanias. Então acredito que estes bandos diziam o que poderi...

Ardi e o Direito

Ardipithecus ramidus, um antigo hominídeo que, há 4,4 milhões de anos, habitava a região hoje conhecida como Etiópia . Para ver seu desenho e mais explicações na matéria do portal Terra, clique aqui . O Discovery Channel - Brasil está apresentando uma série chamada "Descobrindo Ardi", na qual apresenta simulações de movimentos e tarefas de Ardi, bem como hipóteses para os motivos de ter se diferenciado dos chimpanzés já há 4,4 milhões de anos. Para saber os horários do programa, clique aqui . No programa da Discovery e na matéria do portal Terra, vê-se que Ardi andava ereta e tinha os caninos pequenos, conjunto de características que indica uma evolução. E qual a causa apresentada para esta evolução? É que, ao se tornar bípede, Ardi podia usar os braços para transportar alimentos de regiões mais longínquas para a que habitava. E os caninos pequenos se deveriam a não mais precisar ameaçar com o tamanho dos dentes os companheiros do bando. Assim, as fêmeas procurariam se acasal...

Oktoberfest Blumenau

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Neste dia 7 de outubro aconteceu um dos desfiles da Oktoberfest. O desfile se compõe de 104 entidades, entre bandas, grupos folclóricos, carros e outras atrações (carruagens, carroças, carros de boi, grupos folclóricos, bandas musicais alemãs e brasileiras, clubes de caça e tiro, carros alegóricos, clubes, bondepeia, centopeia, choppmotorrad etc). Alguns dos carros distribuem chopp à multidão, mas a distribuição é parcimoniosa, mais para simbólica. Vejo o desfile há 12 anos e há carros e bandas que estão presentes nestes 12 anos. Presença constante também são os 17 imigrantes: pessoas da cidade, com roupas da época, representam as 17 pessoas que fundaram a colônia, vindas da Alemanha. Apesar de serem 104 entidades, elas agregam cerca de 2000 pessoas . Ou seja, o desfile todo tem os componentes de uma Escola de Samba. As pessoas desfilam num passo rápido, de modo que, em uma hora tudo acontece. É o espírito de Blumenau: rapidez e eficiência. E, meia hora depois de terminado o desfile, t...

Origem da expressão "Vara"

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Donde vem a expressão "vara" para designar órgãos judiciais de primeira instância? Vem das Ordenações Filipinas, Livro I, Título LXV (para ver o texto original da edição de 1870, clique aqui ). Até 1830, havia, no Brasil, Juízes Ordinários (eleitos pelos homens bons do povo) e os Juízes de Fora (nomeados pelo Rei). Os Juízes ordinários deviam portar varas vermelhas e os Juízes de fora, brancas, continuadamente, quando pela vila andassem, sob pena de quinhentos réis de multa por vez que sem ela fossem achados. Segundo Cândido Mendes de ALMEIDA a vara era (e continuou sendo até, pelo menos, 1870) a insígnia que traziam os Juízes e Oficiais seculares em sinal de jurisdição, para que fossem conhecidos e não sofressem resistência em suas ordens. Seculares são os que pertencem ao mundo, ao século e não seculares são os religiosos. Oficiais eram os hoje chamados servidores públicos. Segundo o Alvará de 30 de Junho de 1652 e Decreto de 14 de Março de 1665, os Juízes deviam trazer as ...

Informalidade e Reclamações

A melhor maneira de se garantir que uma reclamação ou um requerimento tenha andamento, numa empresa ou numa repartição pública, é levá-lo por escrito. E não só isso: levar em duas vias, pedindo que seja dado o recibo na outra. Isto vale para qualquer situação em que se vá pleitear alguma coisa: seja numa empresa, seja num SAC, seja num órgão público, o ideal é pedir por escrito e trazer recibo em cópia. Se não quiserem receber, mande pelo correio, por AR, mas sempre por escrito. Muito cuidado com quem se recusa a dar comprovante de recebimento: seja comprovante de recebimento de um documento e, principalmente, de dinheiro. Quem diz que não precisa dar comprovante ou se recusa a dar comprovante de recebimento é um trapaceiro: ou ele já está executando uma trapaça ou vai executar alguma. Ou não vai cuidar do recebeu e poderá perdê-lo. Muito cuidado, portanto, com quem não quer dar recibo! Já vivi situações em que empresas, via teleatendimento, procuravam me enrolar. Mandei carta escrita,...

Informalidade e Consenso

Se tem um a coisa que acho perigosa num servidor público é o gosto pela informalidade e pelo consenso. Ambos são um caminho para a autocracia ou, na melhor das hipóteses, para o domínio de um grupo articulado e para o abuso de poder. Uma das consequências da informalidade é a impossibilidade de constestação jurídica a atos adminstrativos, por falta de prova. Um dos sintomas da informalidade é substituir atas por memoriais. Ora, a ata é a forma tradicional e consagrada de registrar reuniões (a gravação de uma reunião em áudio ou áudio e vídeo ainda é mais honesta e mais formal do que a chamada memória). E por que não fazer ata é autoritário? Porque a memória não precisa ser aprovada por quem esteve na reunião e a consequência disso é que, quem fez a tal memória é que vai dizer o que aconteceu e o que não aconteceu na reunião. E, ao dizer o que aconteceu e o que não aconteceu, pode narrar só o que lhe é conveniente. No atendimento ao público, a informalidade se revela na sua forma mais...

Climacool

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Depois de ter criado um sapato saudável, continuei sem usar tênis. Numa região do país úmida, como é a que eu vivo e que, no verão, é muito quente, somada à umidade com a sudorese, temos dentro de um tênis todo o ambiente favorável à cultura de fungos e batérias. Nos sapatos eu tinha eliminado este "habitat" favorável com a "solução Isac". Quanto ao tênis, ainda estava difícil. Foi, então, já no século XXI, que conheci os modelos Climacool da Adidas. Eles são abertos na sola, mas têm altura suficiente para que não entre água se a poça não for muito profunda. Com chuva, molha um pouco o pé e, na neve, a coisa se complica (só andei com ele na neve uma vez). O primeiro que comprei (por volta de 2002) apertava no cabedal e era meio difícil para colocar no pé. Mas o segundo, foi uma beleza (é o da foto acima): fácil de calçar, não aperta e é agradável de calçar. Totalmente ventilado, ou seja, no cabedal e na sola, tem ainda a palmilha feita em tela, de modo que não pre...

Direito de Propriedade e Ação Judicial

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Um gransnado chamou minha atenção. Olhei e vi um quero-quero dando vôos rasantes em direção a uma garça. Cada vez que o quero-quero vinha em direção à garça, esta se abaixava e grasnava. Ao se abaixar, desviava do quero-quero. Era uma garça pequena, do mesmo tamanho que o quero-quero. Acho que os dois ficariam neste "ataca-desvia" indefinidamente se não ocorresse um fato novo. Tudo indicava que ali onde estava a garça havia comida, ninho, enfim alguma coisa de que o quero-quero se achava dono. Não demorou muito e apareceu um ou uma outra quero-quero e ambos marcharam em direção à garça. Em inferioridade numérica, a garça saiu voando e os dois quero-queros também alçaram vôo em perseguição a ela. O quero-quero mais encarniçado prolongou a perseguição, até que a garça voou para mais longe e o quero-quero percebeu que ela abrira mão do território em que se aboletara. Só então parou a perseguição. Não sei como a coisa acabaria se não aparecesse outro quero-quero para ajudar a enx...