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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Das Taifas a Granada


No final do século XI o Califado Omíada de Córdoba decompôs-se em vários reinos (cerca de sessenta), chamados taifas(1). Nestas, por óbvio, a língua de governo era o árabe, mas esta língua também era usada na alta cultura Andalus. Os cristãos e judeus (chamados “dhimmi”, que significa “Povos do Livro”) eram tolerados pelos muçulmanos, sendo permitidos os casamentos entre membros das várias culturas. Mesmo assim, cristãos e judeus não podiam construir novos templos, exibir crucifixos ou tocar sinos. A Espanha dos Cristãos (que falavam “romano”) era al-Andaluz dos muçulmanos (que falavam árabe) e ha-Sefarad dos judeus (que falavam “ladino”). A união de povos seria tal que Teresa, primeira rainha de Portugal, é dada como filha de uma muçulmana (Zaida), por MENOCAL. Tudo isto distanciava a Península Ibérica do resto da Europa, inclusive entre os cristãos católicos: os ibéricos adotavam nas cerimônias religiosas o rito moçárabe, enquanto o rito vigente entre franceses era o latino ou romano(2).
A foto acima é de um azulejo incrustado no Palácio de Exposições de Sevilha e retrata a conquista de Málaga pelos espanhóis, antes dominada pelos muçulmanos.
Notas:
1 - O governo das taifas era essencialmente independente de qualquer sanção religiosa, atribuindo-se os reis o título de malik ou sahib, e por vezes o de habib. (...) Cada um tinha também o seu próprio exército e nomeava e mantinha o tradicional cadi para fazer cumprir as leis. Os califas Abbasid de Bagdá, bem como os califas Fatimid do Cairo eram simplesmente ignorados”. REILLY, Bernar F. Cristãos e Muçulmanos – A Luta pela Península Ibérica. Tradução de Maria José Giesteira.. Lisboa, Editorial Teorema, 1992, p. 30.
2 - MENOCAL, Maria Rosa. O Ornamento do Mundo. Tradução de Maria Alice Máximo. Rio – São Paulo, Record, 2004, pp. 42-248. Segundo REILLY (ob. cit., p. 310), também a igreja moçárabe era diferente da igreja romana: a primeira possuía uma nave única, a ábside (lugar onde fica o altar mor) quadrangular, abóbada em ferradura e ornamentação em mosaico; a segunda, uma nave central e duas laterais, ábsides semicirculares, transepto, abóbadas cilíndricas, arcos arredondados e estatuária muito trabalhada.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O emirado de Al-Andaluz





No ano de 750 os Omíadas são depostos pelos Abássidas. Do massacre dos Omíadas pelos Abássidas, escapou Abd al-Rahman, que se refugiou na Península Ibérica. Abd al-Rahman apoderou-se do emirado da Península Ibérica, que os muçulmanos chamavam de Al-Andaluz e lá iniciou uma nova dinastia omíada. O emirado era uma espécie de Província, governado por um Emir e sua capital ficava em Córdoba. Apesar de os emires prestarem, em regra, contas ao Califa, o Emirado Andaluz assume uma situação de independência por volta do ano 755, prestando apenas reconhecimento nominal aos abássidas. O domínio muçulmano começou a se diluir, em Andaluz, no ano de 976, mas é no ano de 1492 que termina definitivamente, com a tomada de Granada pelos reis católicos Fernando de Aragão e Isabela de Castela e Leon (Espanha). Pelo menos em 1217 ainda havia muçulmanos em Portugal, posto que neste ano houve a retomada da cidade portuguesa de Alcácer do Sal.

Na foto acima a Grande Mesquita de Córdoba/Espanha, que Abd al-Rahman construiu em um ano, usando material de outras construções (a variedade de cor destes tijolos - vermelho e beje - e as diferenças de tamanho entre as colunas é um dos efeitos deste aproveitamento de material). A porta dourada era por onde Abd al-Rahman entrava na Mesquita.

terça-feira, 13 de abril de 2010

MUÇULMANOS INVADEM A PENÍNSULA IBÉRICA





No ano de 711 ocorre a invasão islâmica da Península Ibérica pelos muçulmanos, conduzida pelo governador Musa ben Nusayr, da província de Ifriquyia, ou Ifriqiyya, atual Tunísia, e por seu Lugar-Tenente Tariq ben Ziyad. Tariq é o epônimo do Estreito de Gibraltar - corruptela lingüística de Djebel el-Tarik, A Montanha de Tariq, até então chamada de As colunas de Hércules. Esta invasão decorreu da crise que estourou com a sucessão do Rei Visigodo Witiza: um grupo majoritário da nobreza optou por eleger, um tanto tumulturiamente, Rodrigo. Um outro grupo decidiu apoiar a continuidade de algum familiar de Agila II, também Rei Visigodo. Como antes havia ocorrido em mais de uma ocasião, a facção minoritária pôde ver nos muçulmanos – que já se preparavam para assaltar o Reino Visigótico há algum tempo – o instrumento para se impor em uma guerra civil que, até então, havia ido muito mal para aqueles. Na batalha decisiva de Guadalete (julho de 711), muitos nobres visigodos desertaram, propiciando assim a derrota de Rodrigo e seus seguidores. Tarik, que obteve a primeira vitória, havia desembarcado com 12.000 berberes. No ano seguinte lhe seguiu seu senhor, Musa ibn Nusayr, com 18.000 árabes. Em pouco tempo, ou seja, já entre os anos de 716 e 719, acabaram-se as últimas resistências visigodas (leia mais aqui).
Os árabes tentaram continuar sua expansão pela Europa, mas foram derrotados na Batalha de Tours, em 732. Esta batalha , às vezes chamada de Batalha de Poitiers, tornou-se para sempre o símbolo da interrupção da expansão muçulmana para o norte da Europa (1). Ainda que não tenham se expandido para o norte da Europa, os muçulmanos ficaram mais 760 anos na Península Ibérica (781 ao todo, desde o ano de 711). Por haver somente Sunitas na Península, não houve divisão religiosa entre os muçulmanos.
As fotos acima são da Mesquita de Córdoba/Espanha e do quadro A Batalha de Poitier, exposto no Palácio de Versalhes/França.

Notas:
1 - MENOCAL, Maria Rosa. O Ornamento do Mundo. Tradução de Maria Alice Máximo. Rio – São Paulo, Record, 2004, p. 65.

sábado, 14 de novembro de 2009

Maimônides







Maimônides nasceu em 1135, na Espanha e morreu em 1204. Passou parte de sua vida no Egito e foi sepultado em Israel. Filósofo, teólogo, médico, escritor e líder da comunidade judaica no Egito (estas informações constam da contra-capa do livro O Guia dos Perplexos, parte 2, da Editora Landy).
A estátua da foto acima está em Córdoba, Andaluzia - Espanha. Andaluzia era Al-Andalus na época em que viveu Maimônides. No grupo da excursão que fiz havia um casal de judeus e demonstraram muita admiração por Maimônides. Todos do grupo - judeus e cristãos - tocavam o pé da estátua (não sei se para dar sorte, saúde ou sabedoria). Por via das dúvidas, eu e minha esposa também tocamos o pé da estátua.
A estátua fica na parte que, quando os muçulmanos dominavam a península, era o bairro judeu. Os cristãos e judeus (chamados “dhimmi”, que significa “Povos do Livro”) eram tolerados pelos muçulmanos, sendo permitidos os casamentos entre membros das várias culturas. Mesmo assim, cristãos e judeus não podiam construir novos templos, exibir crucifixos ou tocar sinos. A Espanha dos Cristãos (que falavam “romano”) era al-Andaluz dos muçulmanos (que falavam árabe) e ha-Sefarad dos judeus (que falavam “ladino”) - conforme MENOCAL, Maria Rosa. O Ornamento do Mundo. Tradução de Maria Alice Máximo. Rio – São Paulo, Record, 2004.
Córdoba, quando da dominação muçulmana na Península Ibérica, era a sede do Emirado, depois Califado.
A estatueta da segunda foto foi uma lembrança que comprei numa loja chamada Al-Andalus, que fica em Córdoba, na parte histórica. No dia em que estive lá (agosto), a temperatura, às 3 da tarde, era de 45 graus centígrados.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Igrejas e Conquistas











Quando Abd al-Rahman se refugiou na Península Ibérica (a Al-Andalus dos muçulmanos), instalou-se em Córdoba. Lá ergueu a grande mesquita. Sob ela havia uma igreja cristã (primeira foto). A mesquita (segunda foto) hoje é uma Catedral (terceira foto). A torre de hoje (quarta foto) foi minarete quando a catedral era mesquita.