domingo, 2 de agosto de 2009

Discussões Indiscutíveis

Há temas que eu não entendo como podem ser objeto de discussão. O do momento é o toque de recolher dos menores. Não sei o que leva uma pessoa a defender o direito de uma criança ou adolescente a varar madrugadas perambulando pelas ruas. O artigo 18 do ECA diz que é dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Ora, mesmo que o art. 16, I do ECA diga que crianças e adolescentes podem ir, vir e permanecer nos logradouros públicos, à noite todos os gatos são pardos. O risco de uma criança ou adolescente ser vítima de atos desumanos, de violências, de terror, vexame ou constrangimento é muito maior na noite do que no dia; e, mesmo no dia, andar sozinho pela rua é um risco para uma criança ou adolescente. Não vi em Nova Iorque, Lisboa, Madri e Paris crianças e adolescentes andando sozinhas pelas ruas, nem de dia, nem de noite. Será que não há crianças e adolescentes por lá?

Escândalos Escandalosos

Na minha profissão é coisa cotidiana descobrir gente fazendo falcatrua. Nem sempre uma falcatrua dessa vira escândalo. As causas de não virar escândalo são inúmeras, que vão desde as “do bem” (falta de interesse do público, ser o escandaloso um desconhecido etc) até as “do mal” (o escandaloso é um bom anunciante dos órgãos de imprensa, é bem visto por quem poderia alimentar o escândalo etc).
É curioso que, às vezes, gente de comportamento duvidoso, de há muito conhecida por tal comportamento, de repente vira escândalo. A pessoa sempre foi um escândalo, mas de repente seu escândalo fica escandaloso. O que leva um escandaloso de longa data virar um escândalo nacional?

sábado, 1 de agosto de 2009

Concurso

Passar em concurso requer estudo, disciplina, perseverança, escolha objetiva e muito pouco de sorte. Primeiro deve-se saber que concurso se quer e se se quer mesmo passar num e naquele concurso. Melhor é eleger um leque de concursos com um núcleo comum de disciplinas: Juiz Federal, Procurador da República, Procurador da Fazenda Nacional, Advogado da União e Delegado de Polícia Federal são concursos com um núcleo comum de matérias. Já Juiz de Direito, Promotor de Justiça e Delegado de Polícia Civil têm outro núcleo comum de matérias.

Concurso 1

Deve-se fazer mais de um concurso, especialmente porque muito raramente se é aprovado no primeiro. Há necessidade de ganhar uma certa experiência em concursos, do tipo procura de vagas, nível dos concorrentes (geralmente, num concurso de 10 mil candidatos, 500 são competitivos e os demais só fazem número), administração do tempo durante as provas e controle do nervosismo. Aliás, o nervosismo exagerado pode botar um concurso a perder.

Concurso 2

Mesmo que se faça uma boa escolha do grupo de concursos a serem prestados, mesmo que se aprenda a dominar o tempo e os nervos durante as provas, nada é mais fundamental do que o estudo e a disciplina para estudar. Sempre é bom lembrar que, enquanto se está fazendo festa, um outro concorrente está estudando. Não existe o tal livro mágico, que se lê e se passa no concurso desejado. Não há necessidade de uma obra muito profunda, mas ela precisa trazer todos os conceitos fundamentais. Se o membro da banca escreve livros, é indispensável ler seus livros, pois pode se tratar de alguém muito vaidoso e que queira que sua obra seja lida compulsoriamente.
O tempo de estudo deve ser rigoroso: se foi reservada uma hora por dia para estudar, esta uma hora integralmente dedicada ao estudo. Um bom método é marcar a hora no cronômetro e o cronômetro ser interrompido para o lanche, para o banheiro, para o telefone etc. Terminou o lanche, reativa o cronômetro.
Não há milagres nem sorte, só estudo e dedicação.

Dilação ou dilatação?

Geralmente vejo as pessoas se referirem à prorrogação de prazo como dilação. Está certo que dilação é mais bonito do que dilatação. Mas, apesar do Aurélio dizer que dilação é sinônimo de dilatação, na verdade não é, apenas o uso consagrou a mancada.
Em direito, a palavra dilação é sinônimo de prazo: dilação probatória, dilação peremptória etc, conforme já constava das Ordenações Filipinas.
Assim, para torrar a paciência de quem pede dilação de prazo e para ver se as pessoas se emendam, digo sempre que concordo com a dilatação da dilação.

Tramitando ou Pendente?

Aqui no Brasil se diz que um processo está tramitando. Tenho visto cartas rogatórias de outros países, dentre os quais a Alemanha, em que se fala que o processo está pendente.
Passei a achar que o termo "pendente" produz um efeito psicológico que faz o processo andar mais depressa; enquanto que "tramitando" faz o processo andar devagar. Vejamos: a palavra tramitando dá a impressão que a finalidade do processo é tramitar: tramita, tramita, tramita e nunca acaba; já a palavra pendente dá a idéia de que vai cair a qualquer momento, ou seja, logo vai ser resolvido.
Daí porque passei a me referir ao andamento dos processos como "pendente" e não "tramitando".