segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Primeiro Aniversário

Primeiro Aniversário

Doces do Primeiro Aniversário
As regras costumeiras, nem sempre são regras jurídicas. Algumas são morais, outras sociais. Uma destas regras é a que obriga a fazer uma grande festa no primeiro aniversário de uma criança. Não sei se é uma regra de grande alcance, ou de pequeno alcance. Não sei sei se ela se limita a regiões do Brasil, a todo o Brasil ou até se é um regra que vigora em todo o planeta ou parte dele. Mas sei que a testemunho desde que me dou por gente. E isto já tem mais de 50 anos.
Um dia perguntei à minha mãe porque se fazia esta grande festa no primeiro aniversário. E a grande festa é só no primeiro aniversário. Depois, mesmo que haja festa, ele é de menos grandiosa, com uma lista de convidados menor etc. Minha mãe respondeu-me que era para celebrar, comemorar a sobrevivência da criança ao primeiro ano de vida. Disse-me que o primeiro ano de vida era um período em que as crianças eram mais frágeis, mais sujeitas a doenças e, passado este ano, adquiriam mais resistência...
Não sei se esta é a verdadeira razão do costume e nunca tive curiosidade para pesquisar. Mas, se verdadeiro o motivo, então estaria relacionado à mortalidade infantil.
O fato é que, mesmo tendo havido considerável queda nos índices de mortalidade infantil nos últimos 50 anos, as festas de 1 ano das crianças continuam sendo feitas. E cada vez com mais pompa e mais circunstância. Há hoje até empresas especializadas neste tipo de evento.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sumiço do Lagarto

Lagarto urbano

Lagarto urbano em Jurerê

Lagarto no litoral

Um lagarto que morava no meu jardim sumiu há uns 15 dias. Não sei se fugiu, se foi atropelado ou se o roubaram (tem gente que come lagarto). Hoje tive a impressão de ter visto um lagartinho (não uma lagartixa). Mas não tenho certeza. Acima, fotos do lagarto sumido (não o estou procurando).

sábado, 5 de fevereiro de 2011

As Penas no Brasil Colônia

São estas as penas cominadas nas Ordenações Filipinas, conforme as notas de ALMEIDA (1870), nas  páginas indicadas parenteticamente:
AÇOITE: em público (1.257); em público com baraço e pregão (1.249); com grinalda de cornos (Tit. XXVI, § 9);
ATENAZAMENTO: apertava-se a carne do condenado, com tenaz ardente (1.190);
BARAÇO E PREGÃO - baraço é o laço de apertar a garganta; pregão era a descrição da culpa e da pena (1.149);
CONFISCO DE BENS (1.148)
DECEPAMENTO DE MÃOS (1.191) ou CORTE DE OUTROS MEMBROS (1.313)
DEGREDO para o Brasil, África (1.257) ou para o Couto de Castro-Mirim (1.323) (A pena de degredo temporal era considerada leve, podendo o acusado se defender sem procurador - 1.278);
GALÉS, que significava condenar o réu a remar nestas embarcações  - galé era um tipo de embarcação (1.319);
MORTE: atroz, ou seja, com circunstância que agrava a morte, mas não o sofrimento (confisco de bens, queima ou esquartejamento do cadáver etc)(1.190); civil: é a perda dos direitos e da graduação social (1.162); com queima do cadáver após o estrangulamento; com queima do condenado vivo, que é chamada "morte natural de fogo" ou "queima até virar pó" (1.148 e 1.162); cruel: tinha por fim tirar a vida lentamente, no meio de tormentos, para torná-la mais dolorosa (atenazamento, queima ou esquartejamento do condenado vivo, açoite até a morte, sepultamento do condenado vivo etc (1.191); na forca para sempre: significa deixar o cadáver apodrecer na forca (1.191); por degolação, com ou sem exposição da cabeça do réu (1.298 e 1.313); natural: por veneno, golpe, sufocação, decapitação etc (1.162);
PAGAMENTO DE CUSTAS PROCESSUAIS - não podendo pagar estas custas, o réu ficaria preso por quatro meses, após os quais seria solto - caso não tivesse havido condenação - ou iria cumprir a pena;
PENA ARBITRÁRIA - admitia-se em alguns casos que o julgador aplicasse a pena segundo seu arbítrio (1.279 e 1.285).

Bibliografia:

ALMEIDA, Cândido Mendes de. CÓDIGO PHILIPINO, OU ORDENAÇÕES E LEIS DO REINO DE PORTUGAL; Rio de Janeiro, 1870. Edição por reprodução em "fac-simile" da Fundação Calouste Gulbenkian, LISBOA, 1985.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Desmoronamento

Casas nas encostas de morro - Itália
Quando vejo estes temporais arrancando pedaços de morros penso que isto acontece porque se permite construir em encostas. Mas, lembrando-me de lugares no mundo em que se constrói em encostas e elas não desabam, vejo que nem sempre é correta a generalização. Há o tipo de morro, de solo, enfim, coisas que geólogos podem bem explicar. A solução simplista, que é a proibição geral, não é uma medida boa. Donde a proibição de construir em encostas precisa ser aplicada com a devida equidade. Na foto acima, Sorrento, na Itália.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mexilhão

Outro dia fui ver uma exposição de artesanato, daquelas que não só expõem, mas também vendem artesanatos. Num dos "stands" havia barquinhos. Um homem pegou um dos barquinhos, olhou, virou pra cima e pra baixo e não comprou, devolvendo-o ao expositor. Pelos cabelos grisalhos, devia ter uns 50 anos. 
O barquinho - como toda peça artesanal - era frágil. E, por mais forte que fosse, uma queda o quebraria. Mas quem só sabe ver com as mãos, deve ser tão cara de pau que quebra e não paga. Ou reluta e discute e só paga na marra.
Fui educado para ver com os olhos e desde minha infância vi crianças que não foram habituadas a isso, ou seja, sempre "olharam" com as mãos e os olhos. Viraram adultos folgados como o velhote que mexia no barquinho. 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nossa Senhora dos Navegantes

Dia 2 de fevereiro é dia de Nossa Senhora dos Navegantes, um dos ícones do nosso sincretismo religioso. A mesma imagem pode também representar Iemanjá. A explicação mais interessante para sincretismo religioso encontrei em SOUZA (Marina de Mello e. Reis Negros No Brasil Escravista. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002). O sincretismo não é a mistura de religiões, mas é a possibilidade de usar símbolos de uma religião por outra e viver uma religião usando também os ritos de outra. As nossas medalhinhas e santinhos católicos viram inkises ou inquices para as religiões de inspiração africana.  
Em todo o Brasil há procissões marítimas em homenagem à Nossa Senhora dos Navegantes. Mas a mais significativa para mim, por motivos óbvios, era a que ocorria e ocorre em Navegantes. A gente via do lado de Itajaí, pois morávamos perto do rio.
De vez em quando acontecia alguma tragédia ou incidente rumoroso na procissão: um barco que virava, ou abalroava outro, brigas etc. E as notícias chegavam no dia seguinte lá em casa, pois as pessoas que se dirigiam para Itajaí passavam lá por casa e deixavam as notícias. Por causa destes incidentes, sempre fiquei meio tenso, meio assustado durante as procissões.
Desde muito criança era levado para ver a linda procissão de barcos. Numa destas procissões  - eu devia ter de 5 a 7 anos - aconteceu um episódio inesquecível. Fui com minha mãe. Lá encontramos uma conhecida. Num dado momento minha mãe precisou ir em casa e pediu para a mulher tomar conta de mim. Mal minha mãe tomou distância, a mulher desandou a soltar flatos em profusão, tão estrondosos que eu pensei que ela estava brincando, ou fazendo o barulho com a boca. Nada disso. A sucessão de flatos vigorosos e barulhentos deu-me a impressão de que a mulher estava sendo vitimada por um descontrole esfincteriano. Mas o alarido intestinal foi cessando aos poucos, até voltarmos a escutar somente os foguetes da procissão. Com a volta de minha mãe, tudo se normalizou e a ausência de cheiros e corrimentos marrons pelas pernas da mulher indicava que tudo não passara de uma violenta, sonora e demorada expulsão de gases intestinais.
E a mulher (já devia ter uns 50 ou 60 anos) encarou todo aquele episódio com a maior naturalidade. Naqueles tempos era assim: criança tinha que aturar tudo. E talvez a mulher pensasse que ninguém acreditaria em minha narrativa. Mas acreditaram e riram muito do mico que paguei.  

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O homem que fazia Castelos

Os veranistas veraneiam em distintos períodos do verão: alguns em dezembro, outros em janeiro e outros em fevereiro. Alguns retardatários chegam em março. Mas, no Balneário Camboriú da década de 1960, ainda chamada de Praia de Camboriú, geralmente os veranistas se dividiam entre janeiro e fevereiro. E já se sabia quais vizinhos viriam em janeiro, quais em fevereiro e quais ficavam os dois meses. 
Em fevereiro veraneava um homem que fazia castelos de areia. Não me lembro de tê-lo visto tomando banho de mar: só o via à tarde, fazendo castelos de areia. Era um homem claro, que usava calças compridas e camisas de  mangas compridas, num tempo em que não havia protetor solar, só bronzeadores, um dos quais, o Dagelle, me lembro do bom cheiro e da cor avermelhada até hoje.
O homem construía castelos que eu achava lindíssimos. Depois, no mesmo dia, o mar desmanchava tudo. Sempre havia alguém que fotografasse. Acho que ele próprio fotografava seus castelos. Penso, porém, que ele logo se cansava de fazer castelos, pois na segunda semana de fevereiro já não o via na praia.
Nos anos 70 e depois não o vi mais...