Religião e Estado 21 (no L. 4 das Ordenações Filip.)
CONCEITOS E ETIMOLOGIAS
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| Itajaí |
Até aqui relatei disposições legais relativas a religiões. Nas próximas postagens, tratarei de religiões ou relações espirituais de outras crenças. Assim, nesta postagem, trarei conceitos milenares de religião, heresia, seita, cisma e superstição. São conceitos de matriz cristã e neste contexto devem ser entendidos.
Em Santo Isidoro de Sevilha (Etimologías. Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 2009), vemos que IGREJA é vocábulo grego que, em latim, se traduz por "assembleia", porque "chama" a seu seio todos os homens. (...) p. 677
(...) 2. A religião recebeu este nome porque, mediante ela, "religamos" nossas almas ao único Deus para render-lhe culto pelo vínculo de serviço com Ele estabelecido. Este vocábulo se formou a partir de "re-eleger", quer dizer, de "eleger", de maneira que, em latim, "religião" vem a ser "eleição". 3. Três coisas se requerem do homem para dar culto a Deus na prática da religião, a saber: fé, esperança e caridade. Na fé se encontre o que é o que há que crer; na esperança, que é o que há que esperar; e na caridade, que é o que há que amar. (...) p. 679
1. Heresia é palavra grega cujo significado deriva de eleição precisamente porque cada um elege o que lhe parece melhor, como os filósofos peripatéticos, acadêmicos, epicúreos e estoicos; ou como quem, forjando em suas reflexões um dogma errôneo, se apartou da Igreja segundo seus próprios critérios. 2. Assim, pois, heresia é um vocábulo grego que tens sua origem na ideia de "eleição", uma vez que, cada um, segundo seu livre alvedrio, elege que ideologia professor ou seguir. (...) 4. Seita deriva seu nome de "seguir" e "sustentar". Chamamos seita a disposição de ânimo, aos critérios sobre a doutrina ou a concepção ideológica que, uma vez forjada, se segue, mostrando, no que o conteúdo de religião se refere, critérios muito distantes dos demais. 5. Cisma deriva da "cisão" dos espíritos: se pratica o mesmo culto, o mesmo rito, a mesma fé que os demais. consiste simplesmente em uma separação da comunidade. (...) 6. Superstição dizemos que é a crença supérflua ou "sobreinstituida". Outros dizem que toma seu nome dos anciãos, os quais, em razão de seus muitos anos, deliram e erram com alguma superstição, por desconhecimento de que cultos antigos hão de realizar ou por ignorância de qual das práticas tradicionais hão de adotar. pp. 679-681. (tradução livre do espanhol)
Como já vimos nas postagens anteriores relativas à temática Religião e Estado, no momento que as crenças são transformadas pela lei em conduta obrigatória, o divino se torna terreno. É o que se extrai de Roque FRANGIOTTI, em interessante observação: A aliança da Igreja com os poderes imperiais mudará completamente o tratamento para com o herético: serão empregados, quando necessário, os meios coercitivos, a comunhão e a disciplina eclesiásticas serão bem mais rigorosas para com eles. (FRANGIOTTI, Roque. História das Heresias (Séculos I-VII) - conflitos ideológicos dentro do cristianismo. São Paulo, Editora Paulus, 1995, p. 6)


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