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Religião e Estado 30 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África Central e Oriental 9  -  Nesta narrativa, CADORNEGA descreve mais um encantamento de animal. Um crocodilo (que CADORNEGA chama de lagarto) abocanha um menino nativo (que CADORNEGA denomina “ muleque ”), mas o menino é salvo por um homem que persuade o crocodilo a devolver a criança. Um bispo ( p. 113/727pdf ) queria ver os monstros marinhos (os hipopótamos, que CADORNEGA chama de cavalos marinhos ).  Para tanto, chamaram um nativo (negro) que era encantador (encantava os hipopótamos). O encantador, tocando umas inxias , que são apitos, fizera com sua arte, não boa, vir aonde foram bem vistos do Bispo e dos mais circunstantes, e andar ele mui confiado entre eles e as vezes pondo-se em cima de alguns.   Ao falar do rio Lucala, CADORNEGA diz que a nascente dele e dos rios Dande e Lifua é nas terras do sova Dembo Samba Angombe . Diz que bebeu das águas e comeu do peixe do rio Lifua e que este peixe tinha muitas espinhas ( p. 129/737pdf ). Depois passa a na...

Religião e Estado 29 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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África Central e Oriental 8  -  De como morreu O Alma no sertão d’Angola , mesmo sendo um baqueano . Prossigo nas narrativas de CADORNEGA sobre as práticas religiosas originárias, em Angola e região, no século XVII . Aqui se narra sobre como um indivíduo conhecido por O ALMA foi morto por atentar contra uma cerimônia religiosa dos nativos. O ALMA era um baqueano. No livro de CADORNEGA há anotadores diferentes, um é DELGADO o outro é CUNHA . CUNHA, em nota de rodapé, explica o que é baqueano (p. 102/719pdf ): Baqueano — termo empregado no sentido de — gente já acostumada ao sertão, Já aclimada no sertão, — vocábulo vulgar na linguagem da época em Angola e no Brasil. Este termo é usado para narrar a história de um morador do sertão, que vivia escondido na mata por alguns crimes que havia cometido. Um certo dia ele entrou na cidade e foi falar com o Governador, dizendo que poderia indicar onde estava O ALMA. Ganhou presentes por conta da entrega. Foi embora e alguém disse ao G...

Religião e Estado 28 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África Central e Oriental 7  -  O trecho a seguir do livro de CADORNEGA, descreve um cerimonial dos nativos da Angola do século XVII, em que se invocava a divindade de sua crença para solucionar problemas, indicar remédios( mezinhas ) para doenças e clamar por chuva.   Também em Cacova sucedeu (p. 75-76/703-704 pdf) -  que dois soldados, que estavam dormindo ouviram, de noite, nos outeiros que estão pelas costas muita matinada e algazarra do gentio; e, como já tinham algum conhecimento das coisas da terra, logo entenderam o que aquilo vinha a ser que era sacalar ou xaquetar , que é invocar o Diabo e chamá-lo para que dê distinção ou solução ao que pretendem saber, ou lhe aponte mezinhas para curarem seus males, ou senão chove lhe dê água, como se nada disto estivera na sua mão, senão na de quem criou o céu e a terra. Estes dois conquistadores com resolução soldadesca foram com o maior silêncio que puderam, chegando-se aquele diabólico ajuntamento,  e com...

Religião e Estado 27 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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África Central e Oriental 6  -  Nesta postagem transcrevo a narrativa que CADORNEGA faz sobre nativos africanos que eram comerciantes (no texto são denominados “ tratantes ” por ser a palavra com que se designavam os comerciantes, ou mercadores na época). No mesmo trecho abaixo transcrito, se atribui a ferocidade de um ataque de leões, a estarem estes animais encantados por obra de um Sova (Soba) importante do lugar.  O carreto de levar aquele zimbo a Congo e ao mais Reino custa muito porque é de muito pezo e se pagão muitos xicacos pelo caminho e passagens dos Rios que são como Aduanas, Rendas e Direitos Reais daquele Rey, e ainda assim tem conta e se leva muita quantidade pela Escravaria da gente portuguesa e Gentio alugado, e por outros a que chamam Mubiris , negros tratantes que correm todo aquele Reino, e todas as mais partes; são gente como Ciganos não nos furtos se não em andarem bolantes, entrando em toda a parte onde há negócio e não bolem em coisa que levam ...

Religião e Estado 26 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África Central e Oriental 5  -   Dando continuidade às postagens sobre Religião e Estado, relato, aqui, a descrição que CADORNEGA faz da conversão da então Rainha de Angola N’Zinga ( Nzinga ) M’Bandi (Mbandi) ( Ginga /Jinga) , de sua religião originária, para o catolicismo. ( pp. 167-170/433-435pdf ). Nzinga foi uma Rainha Angolana no século XVII. Ela seguia sua religião nativa e, em decorrência da colonização portuguesa , mudou para o catolicismo. Em decorrência desta mudança, abandonou seus símbolos e imagens (nquisses/nquises) ligados à prática religiosa de seus ancestrais e assumiu os do catolicismo. É o que se pode ler a seguir, na linguagem de CADORNEGA. O Padre Capuchino e Missionário Apostólico Frei Antônio Romano reduziu Ginga/Nzinga/Jinga à fé de nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo-a detestar de todas suas Idolatrias Gentílicas, entregando com suas pregações e santas admoestações um Cofre a que chamam na sua língua Mosete, todo de prata maciça, em que encer...

Religião e Estado 25 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África Central e Oriental 4  -  Sobre os juramentos da Angola do Século XVII , CADORNEGA informa que se chamavam Bulungos [1] . Eram aplicados por “adivinhos” ou “feiticeiros”. Ao falar da vila em que estava a rainha N’zinga M’bandi (Rainha Ginga), CADORNEGA diz que ela tinha as casas dos feiticeiros e adivinhadores no melhor lugar da praça. CADORNEGA informa também que os médicos e cirurgiões nativos eram chamados de Gangas e os padres católicos eram chamados de ganga Amiça . Em outro ponto do livro, CADORNEGA dá notícia de gangas que prediziam o futuro. (...) … no melhor lugar da Praça as casas de seus feiticeiros e adivinhadores, que em estas ocasiões, e em outras muitas foram falsas suas adivinhações, as quais estavam cheias de mil imundícies, e boxinifadas ( DELGADO , no glossário, pp. 601/334pdf ed1940 - BOXINIFADA-É moxifinada; vede esta palavra; MOXIFINADA — mistura de vários ingredientes, comidas, bebidas. S. o a. é — pequenos objetos, alguns imundos, de q...

Religião e Estado 24 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África Central e Oriental 3  -  Dando continuidade aos prolegômenos à abordagem do tema Religião e Estado no Livro 4 do Código Filipino, prossigo transcrevendo trechos de CADORNEGA, Antônio de Oliveira de . História Geral das Guerras Angolanas – 1680 – Tomo I - ; Lisboa, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1972. Reprodução fac-similada da edição de 1940. Aqui transcrevo um episódio que me pareceu doloroso, que revela a crueldade do que era, na realidade, um confronto de religiões: O Governador de Angola , representante colonial, simula estar doente e pede auxílio do curandeiro nativo . Quando este aparece, é preso e morto ( pp. 367-372/209-212pdf ):  Sabendo como dissemos que estava na Bamza do dito Angola Quiaito, e como o dito Sova tinha ido a sua terra que assistia sempre em Masangano ao Governador, e parece que tinha ido ver aquele portento de Santidade ou de malinidade, que a ventura lhe tinha trazido a sua terra, para o Governador sair com o qu...