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domingo, 24 de abril de 2011

Imagens da Semana Santa 8

Ouro Preto, Domingo de Páscoa, 1999
Itajaí, por volta de 1965 - Rosário Vivo

sábado, 23 de abril de 2011

Imagens da Semana Santa 7

Verônica, Itajaí, década de 1960
Verônica, Itajaí, década de 1990

Verônica, Florianópolis, 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Imagens da Semana Santa 6

Louvre - Paris - 2008 - El Greco
 E
Portugal

Itajaí

Florianópolis

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Semana Santa - Homenagem ao fotógrafo

Foto da Reuters. Cumprimentos ao fotógrafo pelo belo trabalho. 
Goiás Velho é uma cidade pequena, mas muito interessante.

Imagens da Semana Santa 5

Procissão do Senhor Morto - Ouro Preto/MG

Descida da Cruz - Ouro Preto/MG
Hoje, com as fotos acima, tiradas na cidade de Ouro Preto na Sexta-Feira Santa de 1999, há que se lembrar também de Tiradentes, já que é dia 21 de Abril.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Imagens da Semana Santa 4

Florianópolis

Itajaí
A imagem de Nossa Senhora das Dores de Florianópolis está na frente do Hospital de Caridade. A de Itajaí estava, temporariamente, na Igreja Matriz do SSmo. Sacramento.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Imagens da Semana Santa 3

Lisboa

Madri
As imagens acima, do Senhor dos Passos, estão na Península Ibérica, em fotos de 2007 (Madri) e 2008 (Lisboa). Uma alusão a nossas origens ibéricas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Imagens da Semana Santa 2

Altar da Igreja do Bomfim - Salvador/Bahia/2008

Sacristia da Igreja do Senhor do Bomfim

As fotos acima, tiradas na Bahia em 2008, com motivos da Semana Santa, lembram nossa Primeira Capital, Salvador. 

domingo, 17 de abril de 2011

Imagens da Semana Santa 1

Imagens do Dia de Ramos - Sevilha/Espanha
Domingo de Ramos - Itajaí - 1981
A foto de Sevilha foi-me remetida por um parente. A de Itajaí é de Jorge D. Da Venda, numa Via-Sacra ao vivo que dirigi.

sábado, 3 de abril de 2010

Sábado de Aleluia


Não lembro de ter visto em Itajaí, na minha infância (década de 1960), a malhação de Judas. Se havia, nunca soube.
Mas havia as encenações da Ressurreição de Jesus. Não sei se havia todos os anos, mas uma me marcou muito. Foi feita usando a estrutura de andaimes montados para construir o Salão Paroquial. Naquele ano (devia ser 1965 ou 1966), o Calvário foi montado ao lado direito da Igreja Matriz do Santíssimo e aproveitou-se a estrutura do Gólgota de madeira e pano para, no lugar da crucificação, colocar-se um sepulcro (também de madeira e pano). Talvez até tenha sido o mesmo sepulcro usado no Rosário Vivo (uma outra encenação feita no campo do Marcílio Dias, no dia 28 de novembro de 1964), que é o da foto acima.
Os atores que fariam a encenação da ressurreição se vestiam no antigo salão paroquial (usado como, digamos, camarim). Como o Calvário ficava muito perto desta sala, dava para alguém ir dela ao “Gólgota” rapidinho, sem que a multidão de espectadores notasse. Assim, depois que o rapaz que faria o papel de Jesus Ressucitado ficou pronto (ou seja, colocada a túnica, as barbas postiças e pintadas as chagas), meu pai o orientou para que ele fosse para baixo do calvário. Ali havia uma escada interna, que ia dar dentro do túmulo. A rapaz subiria por ela e apareceria saindo do Sepulcro. Mas isto só aconteceria num dado momento da Cerimônia Religiosa, durante a qual era usado muito incenso. Lembro-me que o sacristão alimentava um braseiro feito em lata de cera vazia, do qual o coroinha que cuidava do turíbulo ia tirando brasas para queimar o incenso. E, no momento oportuno, o turíbulo era levado para dentro da Igreja. Esta função de mexer com brasas, atiçá-las e coloca-las no turíbulo era muito interessante e agradável, ainda que fosse mais para ver do que participar (eu era muito pequeno, então, para mexer com fogo).
Enquanto estávamos nesta função de atiçar brasas, alguém me chamou a atenção para tochas que apareciam no Morro da Cruz (era de noite, cerca de 21 horas, de modo que as tochas produziram em mim um efeito aterrorizante).
Como a cidade era pequena e silenciosa, também dava para ouvir o barulho de tambores vindo de cima do Morro. E as tochas executavam uma dança ou um ritual, que parecia que os que as seguravam subiam por cima uns dos outros. Os rapazes maiores trataram de atiçar o medo dos menores. E ficaram me dizendo que era uma sessão de macumba, que um macumbeiro subia em cima dos outros e que os tambores eram para chamar os espíritos e desacatar a cerimônia religiosa católica.
Nunca consegui saber se aquela dança de tochas em cima do morro foi um ritual religioso ou uma brincadeira de guris mais arrojados. Ficou na minha memória o movimento do fogo das tochas, a dança que com elas se fazia e o barulho dos tambores.
Quanto à cena da Ressurreição, tudo deu muito certo: o rapaz subiu a escada e apareceu para a multidão atônita que, sem o ter visto ir para baixo do Calvário, só o percebeu como Cristo Ressuscitado.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Procissão do Senhor Morto



Após a descida da Cruz e a colocação da imagem no Esquife, a imagem do Senhor Morto era conduzida em procissão pelas ruas da cidade. O esquife ia sob um pálio e este pálio era levado pelos Irmãos da Irmandade do Senhor dos Passos. O esquife era conduzido por quatro homens vestidos de branco, com um capuz na cabeça. Eram sempre os mesmos, todos os anos e a entrega da roupa significava a desistência da função. Um ano ou dois tive esta função. Antes da procissão, os outros três tiraram suas carteiras de dinheiro do bolso e as colocaram sob o travesseiro da imagem. Terminada a procissão retomaram suas carteiras. Supus que reivindicavam a Jesus um pagamento pela tarefa...

Iam na procissão em destaque os Irmãos com suas opas roxas, as Zeladoras do Apostolado da Oração, as filhas de Maria, os coroinhas (uns levavam matracas), os jovens que encenaram a descida da cruz e as Maria Beús. As Beús eram mulheres que se vestiam de preto e tinham um canto próprio que se seguia ao da Verônica (representavam as carpideiras, creio eu). Numa das fotos acima elas aparecem: de preto, com uma coroa prateada.

Uma multidão acompanhava esta procissão. Meu pai dizia que o grande afluxo de pessoas é porque, de noite, perdiam o “respeito humano”, expressão que ele usava para mitigar o impacto da palavra “vergonha”.

Terminada a procissão, a imagem era colocada num sepulcro iluminado com luz vermelha. Este sepulcro era uma imitação de gruta, que ficava debaixo do calvário de madeira.


Descida da Cruz






Por volta das 19h30min se iniciava a encenação da descida da Cruz. Os atores subiam o calvário. A Madalena (que era regra tivesse os cabelos compridos) colocava as duas mãos sobre os pés da imagem e inclinava a cabeça, como que os beijando. Em seguida, dois homens subiam por duas escadas que ficavam atrás da cruz (uma tábua entre as duas formava um andaime), passavam um pano por baixo do braço da imagem do Senhor Morto, que serviria para desce-lo da cruz e desatarraxavam os cravos (a cabeça dos cravos era em forma de octaedro e a outra ponta era rosqueada, presa por uma porca). Colocavam os braços da imagem para baixo (os braços eram móveis) e iniciavam a descida. Os cravos eram entregues a São João Evangelista. A imagem era colocada nos braços de Nossa Senhora, formando a “Pietá”. A Verônica cantava, abrindo seu pano com o rosto de Jesus (pintado por meu tio, Dide Brandão). Depois, descia-se o Calvário e colocava-se a imagem no esquife, seguindo-se a procissão. Esta encenação da descida da Cruz foi iniciada em Itajaí, por meu avô, em 1924. Em 1930 meu avô morreu. Em 1950 meu pai assumiu os trabalhos de direção da encenação. Depois de 1967, a descida da cruz passou a ser encenada no altar da Igreja. Depois da morte de meu pai, em 1978, continuei fazendo a encenação até sair de Itajaí, em 1984. Não sei mais o que aconteceu depois.

Adoração da Cruz


Às 15 horas de Sexta-Feira Santa havia e há uma cerimônia que termina com a adoração da Cruz. Apesar da Igreja Matriz de Itajaí ter sido inaugurada em 1955, sempre ficaram na antiga Matriz (hoje Igreja da Imaculada Conceição) as imagens utilizadas na Semana Santa (Nossa Senhora das Dores, Senhor dos Passos, Senhor Morto). Mas além das três imagens grandes, havia um crucifixo menor (o da foto acima, à direita do altar mor) que também era trasladado para a Igreja Matriz e usado para adoração da Cruz. Lembro-me que Dona Áurea (então Zeladora da Igreja Velha) recomendava todos os cuidados com a imagem.
Muitas pessoas acorriam ao Ofício Divino das 3 horas e faziam uma fila imensa para beijar ou tocar o crucifixo. Um ano, deveria ser por volta de 1965, fui escalado para, com outro guri, também com cerca de 8 anos de idade, segurar a imagem enquanto as pessoas a beijavam. Ser escalado para uma atividade dessa era tido como muito importante e honroso. Apesar do cansaço, fiquei muito orgulhoso com a função.

Via Sacra 3






A Via Sacra era basicamente encenada. Não havia diálogos entre os personagens, limitando-se o áudio às narrativas de um locutor (Silvio Kurtz, por muito tempo) e à trilha sonora.

Via Sacra 2



Quando meu pai morreu, em 1978, passei a dirigir a Via Sacra. Fiz algumas modificações, especialmente nos figurinos. Muitas das estações aconteciam sobre um palco, que era montado no começo da encenação, ao vivo. Os atores eram recrutados entre meus alunos ou no grupo de jovens da Igreja. Da mesma forma que meu pai fazia, após a Via Sacra eu ia nas casas que tivessem sacada, pedir autorização para a Verônica cantar, na procissão à noite.
Acima, Jornal de Santa Catarina e Jornal A Notícia de março de 1982.

Via-Sacra 1



Até 1967 se fazia a descida da cruz num calvário montado ao lado da Igreja. A partir de então, a encenação passou a ser dentro da Igreja e nunca mais foi erguido o calvário de madeira. Esta segunda metade da década de 60, em Itajaí, deve ter sido um tempo de decadência econômica. Caiu a exportação de madeira, o Banco Inco, cuja Matriz era na cidade, foi vendido para o Bradesco (seguindo-se a conseqüente demissão de muitos empregados do alto escalão), a contratação dos serviços de Despachante Aduaneiro passou a ser facultativa (Decreto-Lei nº 37, de 18/11/1966). Em nível nacional, a inflação já atingira níveis preocupantes (o Decreto-Lei Nº 1, de 13/11/1965 institui o cruzeiro novo) e começava, em 1967, a reação ao Golpe de 64.
Em 1972 meu pai escreveu e dirigiu a encenação da Via-Sacra. Eram 14 estações, que terminavam com a ressurreição de Jesus. Ela foi encenada sob a direção de meu pai até 1977. Em 1978, com a morte de meu pai, passei a dirigir a encenação até 1984, quando me mudei de Itajaí.
Sob a direção de meu pai, os atores se vestiam com uma túnica (havia túnicas vermelhas, verdes e roxas), com uma cruz dourada nas costas (foto acima). A Via Sacra começava às 10 horas da manhã. Terminada a Via-Sacra, cerca de 11h30min, se ia nas casas com sacada pedir autorização para a Verônica cantar à noite.

Calvário de Madeira



Em tempos em que não havia televisão, era costume dormir cedo. Mesmo na Sexta-Feira Santa, que era antecedida por uma noite de muitas atividades na Igreja, se acordava bem cedo. Então, tomávamos o café da manhã e íamos, eu e meu pai, para a Igreja. Eu deveria ter uns quatro ou cinco anos, pois lembro que não tinha idade para ser coroinha (estávamos nos primeiros anos da década de 1960). No largo da Matriz já estava praticamente pronta a estrutura do Calvário. Não lembro quando começavam a construir, mas devia ser na Quita-Feira Santa. Era uma armação de madeira imitando um morro. Em alguns anos, a subida era por uma escada (de madeira, com degraus etc) que contornava a parte da frente do monte. Em outros anos era uma rampa (mais difícil de subir e descer) – ver as fotos acima. Estas mudanças ocorreram num intervalo de 4 ou 5 anos.
Creio que o Calvário de madeira tinha uns 3 ou 4 metros de altura (ver as fotos acima). Isto porque, na parte de baixo, era feito o Sepulcro. Assim, se fazia a descida da Cruz, a procissão do Senhor Morto e, na volta, a imagem era depositada neste Sepulcro (ou seja, debaixo do calvário se fazia uma imitação de gruta, com um nicho, onde era depositada a imagem do Senhor Morto). O calvário de madeira ficava do lado esquerdo de quem olha a Igreja Matriz do SSmo. Sacramento e o nicho ficava também do lado esquerdo da gruta.
A armação de madeira era forrada com um tecido cinza, que imitava granito, sobre o qual eram colocados diversos arbustos naturais, para imitar a vegetação do Gólgota. O custo de tudo isso devia ser alto: madeira, tecido, vegetais, mão de obra... A reiterada construção do calvário, ano após ano, até fins da década de 1960, demonstra a riqueza de Itajaí naquele tempo. Suponho que a madeira era fornecida, provavelmente de graça, pelas inúmeras madeireiras que existiam (a cidade tinha um porto que exportava muita madeira); o tecido talvez fosse doado pela Tecita (Tecelagem Itajaí) e a mão de obra talvez também fosse de graça. Mas isto são suposições. Nunca me ocorreu perguntar isso para as pessoas que realizavam a obra: primeiro que, quando eu era criança, a informação não me importava; e, quando a informação passou a me importar, as pessoas que poderiam ma dar já haviam morrido.
A ida de meu pai de manhã se destinava a supervisionar a obra e ensaiar a encenação da descida da cruz. Eu, como se dizia na época, ia somente piruar. Depois de ensaiar a descida da cruz (os “atores” eram ou alunos de meu pai ou eram jovens da comunidade), eu acompanhava meu pai na visita às casas que tinham sacada, para pedir aos donos autorização para a Verônica cantar à noite).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quinta-Feira Santa 3



O clima de meio feriado, meio dia santo não permitia que meu pai estivesse na Igreja desde a manhã da Quinta-Feira Santa. Pelo menos de manhã se trabalhava. À tarde, depois de ele dormir um soninho e tomar o café da tarde, íamos para a Igreja. Era o que acontecia desde que me tinha por gente, ou seja, começo da década de 1960, em Itajaí/SC.
Chegávamos de tarde e dona Gélia já estava enfeitando o altar. Dizia meu pai que ela custeava de seu dinheiro a ornamentação (basicamente flores e, talvez, vasos e outros adereços). Enfim, Dona Gélia doava seu tempo e seu dinheiro para a Igreja. Dona Gélia era uma mulher muito bonita, sempre bem arrumada. Creio que ela nunca casou.
Chegávamos à Igreja. A Semana Santa era um tempo de muita agitação para a Igreja. Então se preparava o lavapés. Eram rapazes que faziam as vezes de atores, se vestindo de Apóstolos. A mesa onde eles sentavam era feita especialmente para a ocasião. Raramente se usava a do ano anterior. Naquele tempo a madeira abundava em Itajaí, pois o Porto era o maior exportador de madeira da América Latina e a cidade tinha muitas madeireiras. Assim, não era difícil que alguém doasse uma mesa de madeira novinha. Meu pai fazia o ensaio e, de noite, o Sacerdote, com um conjunto de jarra e bacia de porcelana branca com bordas verdes, lavava os pés dos Apóstolos. Na verdade, um membro da Irmandade do Divino Espírito Santo carregava a bacia, outro membro a jarra. A jarra e a bacia me pareciam enormes, mas depois vi que eu é que era pequeno. Derramavam água nos pés dos Apóstolos e o Sacerdote enxugava seus pés. Por volta de 1970 a Irmandade reivindicou o lugar dos Apóstolos. Ponderou-se que eram sempre os Irmãos que estavam presentes nas cerimônias e que os rapazes atores eram recrutados para a ocasião (meu pai os recrutava entre seus alunos). A ponderação foi aceita e, dali para frente, os Irmãos tomaram o lugar dos rapazes atores. Os irmãos da Irmandade do Santíssimo Sacramento usava uma opa igual à usada em Braga, Portugal (pelo homem de trás do que carrega o Guião, que está de gravata azul e branca a foto foi extraída do programa da Semana Santa de Braga de 2010, que me foi remetido por J.Miguel Galaghar).
Quando comecei a acompanhar meu pai, eu devia ter uns cinco ou seis anos, idade insuficiente para ser coroinha. Mas, tão logo completei sete anos (ou oito – não lembro bem), que era a idade mínima para ser coroinha, passei a participar mais ativamente da cerimônia da Quinta-Feira Santa.
Havia uma divisão de tarefas para os coroinhas, conforme seu tempo de atividade. Os mais novos, nada faziam enquanto esperavam o momento de levar galhetas e toalhas para o Sacerdote. Os mais velhos tocavam sino e os mais velhos ainda, agitavam o turíbulo. Com alguma sorte, os mais novos podiam segurar o porta-incenso (um recipiente prateado, em forma de gôndola, engastado num pedestal, com duas portinhas que abriam para cima; dentro se depositava o incenso, que era tirado dali para o turíbulo com uma colherinha, que fazia parte da peça). Tive oportunidade de segurar este porta-incenso durante a cerimônia de Quinta-Feira Santa, o que me permitiu observá-lo atentamente.
Então transcorria toda a cerimônia. No final, se fazia o traslado do Santíssimo Sacramento do altar mor para um altar lateral, que era o reservado à Nossa Senhora durante o ano. Era uma procissão que percorria toda a igreja e depois parava na frente daquele altar, que possuía o sacrário, ou seja, o cofre de que falam as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia. Então, a Igreja Matriz de Itajaí tinha pelo menos dois cofres para guarda o Santíssimo, ou dois sacrários: um no altar mor e um no altar secundário (este altar aparece na foto acima, atrás da imagem de Nossa Senhora das Dores).
Depois eu voltava para casa com minha mãe, pois meu pai ficava na adoração do Santíssimo até a madrugada. Numa destas voltas para casa, minha mãe esqueceu de pegar a chave com meu pai. Chegamos em casa e ficamos matutando na varanda. Até que alguém sugeriu que eu entrasse na casa, passando pela grade da janela. Eu devia ter uns sete anos. Fui colocado grade a dentro, abri a janela, peguei uma chave que ficara em casa, abri a porta e todos entraram. Ficamos aguardando meu pai e sua aprovação ou reprovação do ato. Ele chegou e achou tudo muito engraçado.
Depois que eu e meus irmãos cresceram, minha mãe passou a ficar também na adoração. E depois que meu pai morreu, ela continuou indo. Um dia minha mãe chegou em casa contando que um senhor, muito conhecido na cidade, ficou tempo demais na adoração e teve um descontrole esfincteriano. Ficamos preocupados que isto traumatizasse uma pessoa tão estimada na cidade. Mas, na Sexta-Feira Santa à tarde já o vimos passeando de carro. Como deveria ser, encarou naturalmente o incidente.

Quinta-Feira Santa 2



A Quinta-Feira Santa é o dia da Instituição da Eucaristia. As Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia (parágrafos 115 a 122) determinavam que, neste dia, houvesse confissão dos fiéis, sagração dos óleos (de crisma, dos catecúmenos e dos enfermos), a cerimônia do Lavapés e mais Ofícios Divinos. O Santíssimo Sacramento devia ser exposto, acompanhado, vigiado e assistido, de dia e de noite. As Constituições também diziam que, neste dia, junto com a Hóstia deveriam ser guardadas partículas consagradas para serem levadas aos enfermos. Isto porque não havia e não há missa entre quinta-feira Santa e o Sábado (e, portanto, não há consagração), de modo que, se algum doente precisar comungar, há que se ter partículas consagradas. Ainda segundo as Constituições, as partículas seriam guardadas junto com a Hóstia, no mesmo cofre em que fosse exposto o Santíssimo Sacramento ou na mesma âmbula (a âmbula é o ostensório, provavelmente).
Acima, ostensório na Catedral da Valência (Espanha) e os parágrafos 115 a 118 das Ordenações.