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quarta-feira, 23 de março de 2011

Sebo

Quando se sabe que um livro foi para o sebo, a gente fica pensando o que o levou para lá: quem comprou não gostou? Leu e não quis guardar? Ganhou de presente e não se interessou?
Soube de uma história muito curiosa, ou desagradável para seus personagens.
Gustavo, um conhecido meu, havia publicado seu primeiro livro. Deu de presente a alguns parentes, dentre os quais seu primo Gracindo. Tempos depois, Gustavo vai a um sebo, em busca de livros interessantes. E eis que vê seu livro. Abre-o e encontra a dedicatória que fez para Gracindo.
Hermógenes, irmão de Gracindo, gostava de fazer lambanças. E contou a Gracindo o achado de Gustavo, só para ver a cara do outro. Gracindo ficou muito envergonhado e explicou que o livro fora vendido ao sebo por engano...   

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ética de Estelionatário

Estelionato é o crime do art. 171 do Código Penal. Consiste em conseguir uma vantagem mediante trapaça. Vem da palavra latina "stellio", que era um lagarto que mudava de cor (não sei se era um sinônimo de camaleão ou se era outro tipo de lagarto).
Pois, outro dia, participava do interrogatório de um estelionatário. O estelionatário é pessoa de muita lábia, pois do contrário não conseguiria enganar as pessoas.
Num dado momento, enquanto explicava seus crimes, ele fez questão de deixar claro: Na época em que cometi meus delitos (ou seja, hoje - que está preso - já não os comete mais), eu não era a favor da força física, nem das armas.
Era a ética dele: só passava a conversa nas pessoas, sem usar a força física ou armas para apoderar-se do patrimônio delas.
Afinal, se ética é a maneira ideal de agir, pode haver uma ética de estelionatário. Ou uma ética de qualquer coisa.