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Diretas Já

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O final de 1983 e o começo de 1984 foram politicamente movimentados por conta da campanha pelas eleições diretas. A campanha foi num crescendo, a ela aderindo os meios de comunicação, mais por pressão dos acontecimentos do que por vontade própria. Aqui em Santa Catarina, vários órgãos de imprensa fizeram cadernos específicos nos jornais escritos ou reservaram espaços nos meios de comunicação de som e imagens. Na época, tudo só repercutia na imprensa. Não era como hoje, que alguma coisa pode não repercutir na imprensa, mas pode fazer sucesso na internet. O Jornal de Santa Catarina criou um caderno chamado Jornal das Diretas. Não lembro se houve uma ou mais edições, mas a que aparece na reprodução acima é de 14 de janeiro de 1984. Foi neste dia ou perto dele que houve um comício monstro em Balneário Camboriú. Comparecerem Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e outras figuras políticas de destaque nacional ou local. Não faltaram, nas imediações do comício, os arapongas do regime militar regi...

Censura

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No mais das vezes em que são relatados fatos envolvendo a censura do regime militar, o cenário são as grandes cidades da época, onde se concentravam os artistas profissionais e a grande imprensa. Mas a censura adentrava capilarmente pelo país, atingindo cidades relativamente pequenas, como era o caso de Itajaí na década de 70. Nosso grupo de teatro (FOLK) encenava e escrevia (ou adaptava) as peças que apresentava. Uma das que escrevemos foi "Apocalipse, o Julgamento Maior". Assim, além de escrever, montar e ensaiar as peças (tudo com a permissão dos nossos pais, pois éramos adolescentes), ainda havia que submetê-las à censura. E, para isso, os que eram maiores de 18 anos deviam assinar como autores, pois a censura não aceitava menores escritores. De Itajaí a peça ia a Brasília. Mas entregávamos na Polícia Federal, que tinha uma Delegacia em Itajaí. Na volta, vinham os cortes. Coisas que não entendíamos porque, eram cortadas, sem maiores explicações. Até porque o censor não pr...

ENESC

O fato de eu ser Secretário do Grêmio me tornava - junto com os demais membros da diretoria - um representante dos alunos e candidato preferencial a participar de eventos fora do Colégio ou da cidade. Foi por esta razão que, em meados de 1972, fomos para Florianópolis participar do I Encontro de Estudantes Secundaristas Catarinenses. A grande discussão era a instituição do ensino profissionalizante no 2º grau. A entidade promotora do encontro era um certo CECUCA (Centro de Cultura Catarinense). Hospedei-me na casa de minha irmã e levei junto um colega do movimento estudantil (hoje penso no quão aborrecido para ela deve ter sido hospedar aqueles dois adolescentes). Como todo encontro de estudantes, o evento se desenvolvia meio secretamente e num clima de apreensão. Além disso, havia temas proibidos e termos permitidos. Falar em temas proibidos podia significar problemas, aí incluído o sumiço do falante (e até do ouvinte). Pois bem, ao fim do encontro, Itajaí foi escolhida para sediar o ...

Clavaria Flava

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José Darcy da Silva Júnior foi um dos meus grandes amigos. Morreu em 1989. Entre 1976 e 77, dentre as peças que dirigiu, estava A Criminosa, Grotesca, Sofrida e Sempre Gloriosa Caminhada de Alqui Cabala Silva em Busca da Grande Luz (foto acima do cartaz). Havia um patrocínio da peça, ensaios etc. Eu era o sonoplasta de confiança dele e fui chamado a Curitiba para ajudar na pesquisa da trilha sonora (Darcy até ajudou nas minhas despesas de locomoção e hospedagem). Desde o nome, até o texto a peça era, digamos, ousada. E ensaio vai e ensaio vem, quando chega bem perto da apresentação, a censura proibiu a peça. Naquele tempo da Ditadura Militar era assim: por uma coisa ou por outra, bobagem ou coisa séria com que os censores implicassem, ia uma obra artística pro brejo. E não se encenava e se levava prejuízo. Tempos horríveis aqueles.