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Mostrando postagens com o rótulo História Geral das Guerras Angolanas

Religião e Estado 38 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África 17 -  CADORNEGA narra uma história fantástica, na qual um feiticeiro se apaixona por uma mulher que é escrava de outro homem. Para se casar com esta mulher, o feiticeiro se transforma em crocodilo (que CADORNEGA chama de lagarto) e arranca a mulher da canoa em que estava com seu dono, para depois desposá-la. Um mercador passava pelo rio Dande , indo para o pumbo de Ocanga, levava consigo sua escravaria, dentre os quais uma escrava. (...) afeiçoou-se dela um negro, que ali morava, dos principais daquela povoação e passagem, e vendo que era impossível satisfazer seu desejo em havê-la, por ser o governo daquele homem, valeu-se de suas habilidades, que devia ser mestre em artes, mas diabólicas, o qual transformando-se em um feroz lagarto, indo o senhor da preta passando aquele rio em uma canoa com ela dentro, veio de improviso subindo a embarcação, e aferrou da sua afeiçoada, em que havia posto seu desejo e amor, e a levou com sigo ao rio. O homem ficou espantado de t...

Religião e Estado 37 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África 16 -  No trecho a seguir, CADORNEGA explica o que era um Zumbi n’Angola seiscentista e descreve a relação dos nativos com a morte e os mortos. É narrado um episódio em que, por obra de um feiticeiro, um morto sai de sua sepultura . Também o que é zumbi ( Nzumbi , defunto), é coisa que os põem em muito cuidado, que vem a ser sonharem com algum defunto ou parente, ou qualquer outro que tenha falecido, logo imaginam que lhe vem pedir alguma coisa ou coatar ( Coatar ,  aportuguesamento  de   kukuata , pegar,  buscar,  como traduz o Autor), que é pegar ou buscar para lhe irem fazer companhia, sobre o que fazem oferendas e sacrifícios sobre as suas imbilas , que são os seus jazigos; e, quando com isto se lhe não tira aquela imaginação, se vão definhando e morrem sem falência ( Sem falência , i., é, sem falta. «Não tem discurso», quer dizer «não tem raciocínio».): bem sabem os entendidos que a imaginação faz causa, e muito mais em gente bárbara que...

Religião e Estado 36 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África 15  -  Neste trecho do livro de CADORNEGA se pode perceber o forte vínculo dos políticos com os religiosos, n’Angola seiscentista . É que os sobas/sovas (governantes de certos territórios - os sobados ), se faziam cercar de feiticeiros , para que estes os protegessem dos feitiços que poderiam lhes ser lançados por oponentes daqueles. Nas palavras de CADORNEGA:   Costumam os sovas, assim que os fazem senhores, que entram nos sovados, armarem-se de finas contras, contra as feitiçarias dos seus próprios vassalos, mandando buscar os mais peritos feiticeiros que moram em outros senhorios, para que lhes deem os preservativos de contras para se defenderem dos seus, e peçonha para poderem com ela matar, quando a ocasião o pedir; mas, como senhores e fidalgos, não usam dela, se não num extremo, e se o fizeram pelo contrário os botam fora do senhorio, e elegem outro senhor, que os governe [Os que estão a caber as heranças das terras e senhorios a que chamam gingos ...

Religião e Estado 33 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África 12 - Nesta postagem poderemos ter a descrição de algumas práticas religiosas d’Angola seiscentista . Apesar de CADORNEGA descrevê-las negativamente, a leitura feita com um pouco de antídoto às assertivas parciais do referido autor, permite que se entenda um pouco do funcionamento das práticas religiosas destes nossos ancestrais. No texto, CADORNEGA diz que... ... salvo os gentios daquela Etiópia Ocidental que eram batizados e viviam entre os portugueses, os demais davam adoração ao Diabo, venerando-o e idolatrando nele, tirando a devida adoração a Deus, como criaturas suas, invocando e chamando aquele pai das trevas infernais, deixando o Criador de todas as coisas pela criatura, pedindo-lhe remédio em suas necessidades e trabalhos e enfermidades, obrigando-o, com seus sacrifícios e oferendas e bailes desonestos a lhes vir falar, tendo para isso seus feiticeiros e gangas , que têm mais mão com ele e são mais seus mimosos pelas maldades que obram, consultando por via deste...

Religião e Estado 32 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África 11 -  Dando continuidade aos antecedentes culturais da religiosidade brasileira e da relação pretérita entre religião e Estado, prossigo nos extratos do livro de CADORNEGA sobre Angola no século XVII .  Nesta postagem reproduzo as narrativas de CADORNEGA sobre os ritos dos jagas e dos ambundos. Os jagas eram uma tribo centro-africana que CADORNEGA descreve como muito violentos e em constante guerra. Os jagas viviam constantemente em quilombos que, na África Central, eram os acampamentos de guerra. CADORNEGA descreve especialmente o culto aos mortos por parte dos Ambundos. São também mencionados instrumentos e bebidas rituais e o modo de serem usados. Vamos à narrativa de CADORNEGA. Não observam tanto estes Jagas como o gentio de Angola e mais sertão a adoração dos ídolos; só o que têm em grande veneração e respeitão muito é o que chamam seus quiculos , que vêm a ser os ossos dos seus antepassados, que foram seus senhores, tendo-os em grande veneração, e lhe faze...

Religião e Estado 29 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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África Central e Oriental 8  -  De como morreu O Alma no sertão d’Angola , mesmo sendo um baqueano . Prossigo nas narrativas de CADORNEGA sobre as práticas religiosas originárias, em Angola e região, no século XVII . Aqui se narra sobre como um indivíduo conhecido por O ALMA foi morto por atentar contra uma cerimônia religiosa dos nativos. O ALMA era um baqueano. No livro de CADORNEGA há anotadores diferentes, um é DELGADO o outro é CUNHA . CUNHA, em nota de rodapé, explica o que é baqueano (p. 102/719pdf ): Baqueano — termo empregado no sentido de — gente já acostumada ao sertão, Já aclimada no sertão, — vocábulo vulgar na linguagem da época em Angola e no Brasil. Este termo é usado para narrar a história de um morador do sertão, que vivia escondido na mata por alguns crimes que havia cometido. Um certo dia ele entrou na cidade e foi falar com o Governador, dizendo que poderia indicar onde estava O ALMA. Ganhou presentes por conta da entrega. Foi embora e alguém disse ao G...

Religião e Estado 26 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África Central e Oriental 5  -   Dando continuidade às postagens sobre Religião e Estado, relato, aqui, a descrição que CADORNEGA faz da conversão da então Rainha de Angola N’Zinga ( Nzinga ) M’Bandi (Mbandi) ( Ginga /Jinga) , de sua religião originária, para o catolicismo. ( pp. 167-170/433-435pdf ). Nzinga foi uma Rainha Angolana no século XVII. Ela seguia sua religião nativa e, em decorrência da colonização portuguesa , mudou para o catolicismo. Em decorrência desta mudança, abandonou seus símbolos e imagens (nquisses/nquises) ligados à prática religiosa de seus ancestrais e assumiu os do catolicismo. É o que se pode ler a seguir, na linguagem de CADORNEGA. O Padre Capuchino e Missionário Apostólico Frei Antônio Romano reduziu Ginga/Nzinga/Jinga à fé de nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo-a detestar de todas suas Idolatrias Gentílicas, entregando com suas pregações e santas admoestações um Cofre a que chamam na sua língua Mosete, todo de prata maciça, em que encer...

Religião e Estado 24 (no L. 4 das Ordenações Filip.)

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  África Central e Oriental 3  -  Dando continuidade aos prolegômenos à abordagem do tema Religião e Estado no Livro 4 do Código Filipino, prossigo transcrevendo trechos de CADORNEGA, Antônio de Oliveira de . História Geral das Guerras Angolanas – 1680 – Tomo I - ; Lisboa, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1972. Reprodução fac-similada da edição de 1940. Aqui transcrevo um episódio que me pareceu doloroso, que revela a crueldade do que era, na realidade, um confronto de religiões: O Governador de Angola , representante colonial, simula estar doente e pede auxílio do curandeiro nativo . Quando este aparece, é preso e morto ( pp. 367-372/209-212pdf ):  Sabendo como dissemos que estava na Bamza do dito Angola Quiaito, e como o dito Sova tinha ido a sua terra que assistia sempre em Masangano ao Governador, e parece que tinha ido ver aquele portento de Santidade ou de malinidade, que a ventura lhe tinha trazido a sua terra, para o Governador sair com o qu...