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O Estado Democrático de Direito num Conto 3

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Os abusos se tornaram insuportáveis e os vilões acabaram se revoltando. Moacir, que andava desacreditado depois que alguém colocara em dúvida a real necessidade de abandono do navio (afinal nunca apareceram na ilha vestígios do naufrágio), retomara seu prestígio: o tempo tudo resolve. E, numa noite de quarta-feira, esperaram Moema e Reinaldo voltarem de sua ronda à ilha, para desfechar um ataque (às quartas-feiras Pedro e Antônio não acompanhavam a ronda, pois, às terças, Moema e Reinaldo pernoitavam numa confortável casinha que mandaram construir num penhasco mais retirado). Moema trazia sua inseparável submetralhadora (desde algum tempo fonte maior de seu poder) e Reinaldo caminhava com o fuzil engatilhado, quando duas pauladas surgidas na escuridão, colocaram homem e mulher fora de combate por alguns segundos, tempo suficiente para o grupo tomar-lhes as armas. Conversas descompromissadas com Reinaldo haviam-no levado, tempos antes, a compartilhar seus conhecimentos sobre armas com d...

O Estado Democrático de Direito num Conto 2

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Já estava anoitecendo, quando todos foram saltando à praia, sem saber se era um continente, uma ilha ou algum pedaço de terra abençoado que o acaso lhes havia dado como salvação. Sem qualquer meio de comunicação, trataram de se instalar ali, de modo a passar a noite da melhor maneira possível. Nos dias que se seguiram, iniciaram uma rotina de sobrevivência que passava desde a dificuldade de encontrar comida, até a problemática de construir abrigos. Com tantas e urgentes preocupações e como todos tinham ficado em clima de cooperação, as armas acabaram esquecidas num compartimento do bote (então fortemente ancorado numa enseadazinha que havia na ilha). E, como o grande conhecimento exigido até então dizia respeito à construção de abrigos e busca de comida, Reinaldo (que fora militar) liderava a situação. Moema, então, contou-lhe certo dia sobre as armas, especialmente porque ninguém, além de Reinaldo, dominava seu manejo. Reinaldo, com quarenta e cinco anos, cabelos grisalhos, era descen...

O Estado Democrático de Direito num Conto 1

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Depois de muito trabalho, um grupo de alunos de uma determinada Faculdade de Direito conseguiu juntar fundos para um cruzeiro marítimo. Seria uma rota histórica: partindo do Porto de Itajaí, faria-se o que, nos tempos dos descobrimentos, os portugueses denominaram “a Volta do Mar”, ou seja, cruzava-se o Atlântico em direção ao Sul da África, mais especificamente em direção ao Cabo da Boa Esperança; de lá, quase que contornando a costa, ia-se até a Ilha de Cabo Verde, onde haveria dois pernoites; dali começaria o retorno à costa brasileira. Portanto, a viagem não tinha só cunho recreativo, já que iria reproduzir parte da rota da expedição de Cabral. Assim, partindo da Ilha de Cabo Verde, o cruzeiro tocaria a costa brasileira na altura do Estado da Bahia, de onde, em navegação de cabotagem, voltaria ao Porto de Itajaí. No dia marcado, todos estavam à bordo e logo o navio passava os molhes da barra do Rio Itajaí-Açu e entrava no mar. O transatlântico era bastante confortável: visto de ...