O Estado Democrático de Direito num Conto 3
Os abusos se tornaram insuportáveis e os vilões acabaram se revoltando. Moacir, que andava desacreditado depois que alguém colocara em dúvida a real necessidade de abandono do navio (afinal nunca apareceram na ilha vestígios do naufrágio), retomara seu prestígio: o tempo tudo resolve. E, numa noite de quarta-feira, esperaram Moema e Reinaldo voltarem de sua ronda à ilha, para desfechar um ataque (às quartas-feiras Pedro e Antônio não acompanhavam a ronda, pois, às terças, Moema e Reinaldo pernoitavam numa confortável casinha que mandaram construir num penhasco mais retirado). Moema trazia sua inseparável submetralhadora (desde algum tempo fonte maior de seu poder) e Reinaldo caminhava com o fuzil engatilhado, quando duas pauladas surgidas na escuridão, colocaram homem e mulher fora de combate por alguns segundos, tempo suficiente para o grupo tomar-lhes as armas. Conversas descompromissadas com Reinaldo haviam-no levado, tempos antes, a compartilhar seus conhecimentos sobre armas com d...