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Mostrando postagens com o rótulo Itajaí
Não toca, Carvalho!
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Nestes dias finais de agosto já iam a pleno vapor os ensaios da Fanfarra do Colégio Salesiano Itajaí. Corria o ano de 1972. Já havíamos ensaiado bastante na sala de instrumentos, depois no pátio do Colégio e já começávamos a ensaiar na rua. Poucos sabiam ler notas musicais e a gente tocava por número (pisto 1, 2, 3 e 0). A cidade comportava ensaios de rua, pois Itajaí era uma cidade de pouco mais de 50 mil habitantes. A fanfarra dos colégios, ensaiando pelas ruas, era uma atração na cidade. Depois, dia 1º de Setembro, às 6 horas da manhã, fazíamos a alvorada: a fanfarra desfilava pelas ruas centrais de Itajaí, tocando a toda força. As pessoas não se importavam e certamente achavam um bom motivo para se acordar. Depois, no dia 7 de Setembro, o colégio desfilava em todo o seu conjunto (sempre havia, é verdade, alguns vadios que se recusavam a desfilar). Pois bem, havia um colega de fanfarra de sobrenome Carvalho. Gente boníssima, brincalhão, mas seu sobrenome se prestava a trocadilhos. C...
Férias de Julho Brincando de Faroeste
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Hoje, 1º de julho, começam as férias escolares. Não sei se ainda começam, hoje, neste dia. Em 1967, 68, quando eu estava na faixa dos 10 anos de idade, as férias começavam em 1º de julho. O frio, em tempos de grande sucesso dos filmes de faroeste, fazia com que nos sentíssemos no clima para brincar de mocinhos e bandidos. Minha mãe fez uma roupa de "cowboy" reformando um traje antigo de minha irmã. Era um tecido que parecia veludo. A cor era verde. Então, munido de pistolas, cartucheira, botas, chapéu (marca Tremendão) etc, eu saía brincando com os outros meninos. As pistolas eram municiadas com espoletas fixadas em rolinhos de papel (havia umas de metal, mais caras, para "revolvinhos" mais sofisticados). Um dia apareceu um cavalinho num dos terrenos baldios da vizinhança, mais precisamente onde é hoje a agência do Banco do Brasil em Itajaí. E ficamos, por vários dias, brincando no cavalinho petiço, nos sentindo como nos filmes que passavam nas tardes de domingo no ...
Dia de São João
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Festa Junina no Sul Hoje é dia de São João. Aqui no sul, as festas juninas são regadas a bebidas e comidas para espantar o frio. Durante algum tempo comemorei o dia de São João com fogueiras, fogos de artifício, quentão, pinhão e mais algumas guloseimas típicas do nosso inverno, que vai de junho a setembro. Fazia isso ao no terreno ao lado da casa de meus pais, nas décadas de 1960 e 1970. Os fogos eram comprados na Casa Lauro Silva e a lenha já estava na casa, para o fogão à lenha. Depois, os fogões à lenha foram caindo em desuso e, por ser difícil achar lenha, foi acabando a fogueira, depois os fogos, depois a festa.
Batalha Naval do Riachuelo
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Hoje se comemora a Batalha Naval do Riachuelo . Quando eu era criança, as escolas faziam solenidades em comemoração e a gente tinha que fazer trabalhos escolares a respeito. Não sei se isso acontecia em todas as cidades ou a ênfase, em Itajaí, se devia ao fato dos dois times de futebol terem como epônimos heróis daquela Batalha ocorrida durante a Guerra do Paraguai: Marcílio Dias e Almirante Barroso. Eu era torcedor do Barroso, para o qual não preciso torcer mais desde 1970, quando parou de jogar futebol. Mas o Barroso tem um site, que é este . E seu emblema, era este: Mas hoje, o oficial é este:
Monumentos e o tempo
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O mundo todo não vale o meu lar, ou a minha terra. Monumentos que atravessaram milênios nos impressionam. Mas monumentos que atravessaram décadas, numa cidade de 150 anos de direito e só 352 de fato como Itajaí, também impressionam. Veja-se o cálice com um manto branco que está no cemitério de Itajaí. Ele já existia em 1930, pois se vê na foto em que meu avô Joca aparece discursando pouco antes de morrer. O monumento ficava no cemitério, mas o cemitério ficava ao lado da matriz do SSmo. Sacramento. Tempos depois é que o cemitério e o monumento foram para o bairro fazenda. Vejam-se as fotos acima: de 1930 e de hoje.
A Morte de Joca Brandão
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Itajaí, 1.11.1930 - Cemitério Joca Brandão em outra foto Detalhe da foto acima: Joca discursa Joca Brandão (João Marques Brandão) foi meu avô. Morreu em 1.11.1930, fazendo um discurso em homenagem ao golpe ou revolução de 1930 . Provavelmente esta circunstância é que deve ter contribuído para ele virar epônimo de uma Avenida, em Itajaí. Durante muito tempo minha mãe indicava foto acima, que dizia ser do dia em que meu avô morreu. Dizia que estava no cemitério, local onde foi proferido o discurso e alguém gritou: "Morreu um homem!" E ela desandou a correr. Não sabia que, anos mais tarde, casaria com o filho daquele homem que estava morrendo. Aí já há uma curiosidade: a casa de meu avô materno ficava a uns 500 m do cemitério e minha mãe, com 6 anos, deve ter ido lá sozinha, pois dizia que voltou correndo para casa. Por aí se vê que a cidade era muito pacata, especialmente considerando que meu avô materno era muito rigoroso com as filhas. Pois bem, revendo a foto, só ...
A Cidade no Natal
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Nem sempre é possível termos uma vida pacata junto com desenvolvimento e a riqueza. Edifícios, empreendimentos comerciais, mais gente andando na rua são um preço que o desenvolvimento e o enriquecimento nos cobram. As cidades, hoje, no Natal, são muito mais iluminadas, muito mais feéricas e muito mais agitadas. Mas há lembranças que o tempo torna mais agradáveis ou a juventude do corpo e da mente lhes dá mais colorido e emoção. Não lembro hoje o que é mera imaginação ou realidade em se tratando de uma voltinha de carro que dei, junto com meu tio e meus irmãos, em meados da década de 1960, em Itajaí. Talvez, por eu ser criança, tudo parecesse mais bonito. O carro andava pelas ruas da cidade, todas calçadas com paralelepípedo. Refiro-me às ruas do pequeno centro, pois eram comuns, na Itajaí de 1960, ruas sem qualquer pavimentação. O asfalto ainda não tinha chegado nas ruas da cidade. Somente umas três ou quatro ruas tinham lojas comerciais, que eram ornamentadas. No mais, as casas er...
Nossa Senhora da Conceição
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Dia 8 de Dezembro é dia de Nossa Senhora da Conceição. Em Portugal foi-me dito que só as imagens portuguesas usam coroa. Mas vi uma imagem da Nicarágua com coroa. Diz-se que a imagem portuguesa tem coroa porque o Rei D. João IV depositou a coroa real aos pés de Nossa Senhora (veja aqui). pintura de N.Sra. Conceição N.Sra. Conceição sem coroa N.Sra. Conceição com coroa Meu pai e meu tio sempre achavam a imagem muito bonita e talvez por isso, ou por causa da tradição portuguesa, também passei a admirar muito a imagem da Imaculada Conceição. Outros motivos me ligaram à Nossa Senhora da Conceição: além da amizade de meus pais com as freiras da ordem das Irmãzinhas da Imaculada Conceição (fundada pela Madre Paulina), também fui coroinha da igreja da Imaculada Conceição, conhecida em Itajaí por “Igreja Velha” por ter sido a antiga matriz, em oposição à “Igreja Nova” ou nova matriz. Nova na década de 60, pois fora construída em 1955. Eu era uma espécie de coroinha titular: dava p...
De Trem para Rio do Sul 2
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Corria o ano de 1968. Um sábado, 13 horas e nos reunimos na Estação de Trem em Itajaí. Era uma turma de guris, todos estudando no Colégio Salesiano. Havia de pré-adolescentes a adolescentes. Eu estava com 11 anos. O passeio foi organizado pelo Pe. Schmidt (Heriberto José). Junto com ele, iam dois Professores (Renato e Adalberto), todos para tomar conta da gurizada. O passeio era para ser todo de trem, mas havia um problema numa ponte na Canhanduba, ainda em Itajaí. Por isso, íamos de litorina até a ponte a ali fazíamos uma baldeação para o trem. Foi a primeira vez que ouvi a palavra baldeação. Litorina era uma espécie de ônibus sobre trilhos. Ou um vagão motorizado. Locomotiva defronte à Pref. de Blumenau Pois bem. Cada guri foi levado por seus pais na estação de trem. Levávamos roupa para um pernoite e o dia seguinte. Estes passeios, como são os primeiros que fazemos com certa autonomia, sem os pais, se tornam eventos marcantes nas nossas vidas. A gurizada, em geral, estava eufóric...
"A escola de dona Júlia"
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O texto a seguir descreve o cotidiano profissional de uma professora primária, no início do século XX, na cidade de Itajaí/SC. Durante longo período, mais de um quarto de século, uma parte da população de Itajaí frequentou a escola de D. Júlia Miranda. Foi lá que aprendi a ler e a escrever, assim como meus irmãos, primos, amigos e conhecidos. A figura de D. Júlia está nitidamente gravada em minhas impressões de infância. Era uma senhora de meia-idade, de pequena estatura e magrinha; usava quase sempre paletó de fazenda claro e saia preta. Quando ela passava de um lado para outro, muito pequena, olhando para tudo com os olhos escuros e vivos por trás dos óculos - que pareciam muito grandes no seu rosto miúdo - não aparentava a energia de que era possuidora. A escola ficava pouco adiante de nossa casa, à rua Lauro Müller, num pequeno chalé de madeira, pintado de cinzento, com um jardinzinho na frente. A sala de aula ocupava a metade da casa e D. Júlia residia na parte de trás...
Teatro em Itajaí Antigo
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Manoel Marques Brandão João Marques Brandão (Joca) No início do Século XX (1903) funcionavam dois grupos de teatro em Itajaí, segundo Raquel Liberato Meyer. Um, na Sociedade Estrela do Oriente. As peças do Estrela eram ensaiadas com muita antecedência e o galã era Edi Heusi, que contracenava com Tilda Heusi. As roupas eram emprestadas por pessoas da comunidade. Uma das peças encenadas foi "O Anjo do Lar", cuja atriz que o representava era Estelita da D. Bilica; a mãe do anjo era a Tilda. O outro grupo de teatro era o da Sociedade Guarani, cujos atores eram os irmãos Brandão. O Guarani foi fundado em 1897, por Joca Brandão (apelido de João Marques Brandão) e a sede construída em terreno doado por seu pai, Manoel Marques Brandão. A sede ficava na esquina das Ruas Manoel Vieira Garção e José Bonifácio Malburg (nome atual). As informações acima estão no livro "Uma Menina de Itajaí", de Raquel Liberato Meyer, editado em 1961, edição póstuma, pelos familiares d...
Bisavô Maneca e Vô Joca
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Inocência Lend o , há tem po s, num jornal, uma refer ê ncia a ce r t a c o mpanhia lír i ca, que esteve aqui no Estado em 1903, tendo uma porte do ' elenco dados alguns e s petácul o s em Itajaí, . lemb r ei-me de um episódio que m i nha mãe me c on tou, e eu achei m u i t a graça, e que de ce r t o m o d o e s tá ligado a e s sa c omp anhia. Quand o eu ia brincar com minhas primas, q u e m o rav a m p e rto da casa do Sr. Man o el Marques Brandã o – s eu Maneca Marques, como era conhecido - à s vezes parava pa r a falar c o m ele , mas lembro-me de q u e nã o me sentia mui t o à vo n tade; tinha um c er to medo , t al v ez p or e s tar el e s e mpre mu i to sério, e também por que u sava r o u p a escura e tinha uma barba preta , cerrada. Não saía de casa e gostava de fic ar en c os t a d o à meia p o rta de entrada, vend o quem pass av a na r ua . E r a p a i d o Joca Bran d ão e eu achava isso mui t o e s quisito, p ois o filh o não se pare c ia nada com ele . O Joca e r a um m...
Primeira Imprensa em Itajaí
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Itajaí, 150 anos de fato, 352 de direito XXXI Em 1884, circulava o primeiro jornal da cidade, cuja impressão se dava lá mesmo. Mas ele se limitou a três edições semanais. A partir de então (pelo menos até 1889), é registrada, a cada ano, a criação e circulação de outros jornais, de duração efêmera. É no ano de 1904 que passam a circular periódicos com vida mais longa. E, desse ano em diante, sempre haverá órgãos de imprensa em Itajaí. Pode-se mencionar também outras publicações, como os anuários - estes, esporádicos - que já eram impressos, pelo menos, em 1924. A leitura de jornais das duas primeiras décadas do Século XX esclarece uma série de acontecimentos climáticos e políticos atuais. Fica-se sabendo, por exemplo, que houve uma enchente em 1911 que inundou os mesmos lugares que aquela de 1983. Sabe-se, também, que, no carnaval de 1912, o tema político de um carro alegórico (referia-se a um acordo com Lauro Müller, que gerou efeitos até nossos dias) gerou um tiroteio durante o desfi...
A República começa em Itajaí
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Itajaí, 150 anos de fato, 352 de direito XXX Com a proclamação da República, foi nomeado, pelo Governador do Estado, um conselho de Intendência Municipal para Itajaí, que exerceu suas funções a partir de 18 de janeiro de 1890. Mas, em 16 de fevereiro de 1892, em conseqüência da Revolução Federalista, outra câmara tomava posse. Esta revolução,todavia, não logrou êxito, de modo que, a partir de 1894, é dada continuidade ao regime que se iniciara em 1890. Na câmara que toma posse em 1894, estão, entretanto, somente dois dos vereadores que assumiram 4 anos antes. Ela se compunha de 7 membros e já tinha funções legislativas. Mas, é em 7 de abril de 1895, que se faz a primeira eleição regular republicana. O mandato dos eleitos irá até 1898 ( D'ÁVILA, Edison. Pequena História de Itajaí . Itajaí, Prefeitura Municipal de Itajaí, 1982, p. 139 ). As câmaras de vereadores se sucedem até a interrupção ocorrida com o "Estado Novo", na década de 30. Em 1947, inicia-se um período de cont...
A quantidade de eleitores no Império em Itajaí
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Itajaí, 150 anos de fato, 352 de direito XXIX Durante o Império, as câmaras municipais eram eleitas pelos cidadãos, conforme disposição dos artigos 91 e 92 da Constituição da época. As restrições contidas nestes artigos, porem, tornavam pequeno o número de eleitores em relação à população, como foi visto em outras postagens. Em 1869, por exemplo, havia 16 eleitores (1) em Itajaí, para 3.155 habitantes (2), ou seja, 0,05 % da população. Notas 1 - CABRAL, Osvaldo R. A Organização das Justiças na Colônia e no Império e a História da Comarca de Laguna. Porto Alegre, Estab. Gráfico Sta. Teresinha Ltda, 1955,p. 185. 2 - FLORES, Maria Bernadete Ramos. História Demográfica de Itajaí – Uma População em Transição. 1866/1930 . Florianópolis, 1979. Dissertação aprovada pelo Curso de Pós-Graduação em História da UFSC, p. 62.
As Posturas Municipais
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Itajaí, 150 anos de fato, 352 de direito XXVIII No artigo 64 da Lei de 1º de outubro de 1828, era estabelecido que as obrigações que as câmaras determinassem para o município teriam o nome de posturas. O Código de Posturas de Itajaí, com 132 artigos e outros 13 adicionais, foi aprovado pela Lei Provincial de 30 de abril de 1868. Vi este código nos arquivos da Assembléia Legislativa de Santa Catarina em 1986. O Conselho Geral da Província podia alterar ou revogar as posturas municipais, conforme disposição do artigo 72 da referida lei imperial de 28 de outubro. E, no artigo 73, era facultado aos cidadãos recorrerem aos conselhos gerais, das deliberações, acórdãos e posturas das câmaras que tratassem de matéria econômica e administrativa. Convém notar que esta Lei Imperial de 1828 arrolava as funções das câmaras, bem como as posturas municipais sobre as quais as câmaras deviam estabelecer regras. Estas regras, porém, não tomavam o nome de leis. Mas tinham força de lei, pois o desrespei...