A Morte de Joca Brandão
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| Itajaí, 1.11.1930 - Cemitério |
| Joca Brandão em outra foto |
| Detalhe da foto acima: Joca discursa |
Doloroso acontecimento
Quando falava junto ao túmulo de Pedro Ferreira caiu, vítima de uma síncope, falecendo instantaneamente, o sr. João Marques Brandão
A família itajaínse sofreu, na manhã de hoje, um desses rudes golpes de cuja realidade a gente custa a se compensar.
Depois de realizada, na Praça João Pessoa, a solene missa campal em ação de graças pelo restabelecimento da paz na família brasileira, iniciou-se a segunda parte do programa das manifestações cívico-religiosas com que a Junta Governativa deste município comemorava a reintegração do país no regime da lei, a qual constava de uma romaria ao túmulo do inesquecível médico dr. Pedro Ferreira e Silva que, na administração da terra itajainse, realizou obra de vulto tal que jamais poderá ser relegada ao olvido, vindo a cair também, por fim, vítima da política de opressão que então iniciava a sua obra anti-republicana.
Para falar nesta homenagem apresentou-se o sr. João Marques Brandão, inteligente e esforçado conterrâneo que demonstrava sempre a maior satisfação todas as vezes que lhe era dado participar de homenagens e comemorações referentes à terra itajaiense pela qual dedicava entranhado amor que atingia as raias da idolatria.
João Marques Brandão realizava também, com esse seu gesto, uma inspiração de há longo alimentada e que sempre manifestava todas as vezes que uma injustiça mais grave era, pelos opressores, lançada sobre o povo, aspiração que se resumia nesta frase que ele proferiu tantas vezes: “Ainda hei de falar junto ao túmulo de Pedro Ferreira”.
E o dia tão ansiosamente esperado durante longos anos chegou afinal. João Marques Brandão, de pé em um caixão colocado sobre a pedra do túmulo, segurando em uma das mãos a coroa de flores naturais, à qual se achava atado um laço com a inscrição “Homenagem do povo ao inolvidável Pedro Ferreira” iniciou, com a voz embargada pela comoção, a vibrante oração. Solicitou depois preces para os que jaziam sob aquele chão. Parou alguns segundos orando. Exaltou depois a figura homérica de João Pessoa. Lágrimas a deslizarem pelas faces entrou a referir-se a Pedro Ferreira, cuja vida e martírio começou a analisar. “Fora dos promotores da homenagem da trasladação para a Prefeitura, do retrato desse companheiro…” A comoção embargou-lhe a voz. Empalideceu. Fraquejaram-lhe as pernas, e antes que a grande multidão que o cercava se apercebesse do que se passava, caiu ao solo, nos estertores de uma agonia rápida. Braços ergueram o corpo ao ar levando-o para um automóvel em busca de socorro médico. Enquanto isso o sopro se extinguia, chegando o corpo já sem vida ao hospital.
O cadáver do inolvidável Joca repousa na residência de sua família, de onde sairá amanhã para o derradeiro leito devendo enterro ser feito às expensas da população, que tanto o queria e admirava, e se empenha nesta hora em prestar-lhe esta derradeira homenagem. (publicado no jornal O Pharol de Itajaí, provavelmente datado de 1º de novembro de 1930, dia do falecimento de João Marques Brandão (Joca).
| Primeira Sede da Soc. Guarani/Itajaí/SC |

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