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Censura

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No mais das vezes em que são relatados fatos envolvendo a censura do regime militar, o cenário são as grandes cidades da época, onde se concentravam os artistas profissionais e a grande imprensa. Mas a censura adentrava capilarmente pelo país, atingindo cidades relativamente pequenas, como era o caso de Itajaí na década de 70. Nosso grupo de teatro (FOLK) encenava e escrevia (ou adaptava) as peças que apresentava. Uma das que escrevemos foi "Apocalipse, o Julgamento Maior". Assim, além de escrever, montar e ensaiar as peças (tudo com a permissão dos nossos pais, pois éramos adolescentes), ainda havia que submetê-las à censura. E, para isso, os que eram maiores de 18 anos deviam assinar como autores, pois a censura não aceitava menores escritores. De Itajaí a peça ia a Brasília. Mas entregávamos na Polícia Federal, que tinha uma Delegacia em Itajaí. Na volta, vinham os cortes. Coisas que não entendíamos porque, eram cortadas, sem maiores explicações. Até porque o censor não pr...

ENESC

O fato de eu ser Secretário do Grêmio me tornava - junto com os demais membros da diretoria - um representante dos alunos e candidato preferencial a participar de eventos fora do Colégio ou da cidade. Foi por esta razão que, em meados de 1972, fomos para Florianópolis participar do I Encontro de Estudantes Secundaristas Catarinenses. A grande discussão era a instituição do ensino profissionalizante no 2º grau. A entidade promotora do encontro era um certo CECUCA (Centro de Cultura Catarinense). Hospedei-me na casa de minha irmã e levei junto um colega do movimento estudantil (hoje penso no quão aborrecido para ela deve ter sido hospedar aqueles dois adolescentes). Como todo encontro de estudantes, o evento se desenvolvia meio secretamente e num clima de apreensão. Além disso, havia temas proibidos e termos permitidos. Falar em temas proibidos podia significar problemas, aí incluído o sumiço do falante (e até do ouvinte). Pois bem, ao fim do encontro, Itajaí foi escolhida para sediar o ...

GESI 2

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O GESI (Grêmio Estudantil Salesiano Itajaí) tinha uma atuação que extrapolava o âmbito do Colégio Salesiano Itajaí. Apesar de sua fundação datar de 1961, foi em 1968 que seu campo de ação se estendeu pela cidade de Itajaí/SC. Creio que isso se deveu, principalmente, ao espírito inovador e incentivador do Padre Heriberto José Schmidt. Mas, ou porque o Pe. Schmidt soube escolher os alunos para dirigir o grêmio, ou pelo talento daqueles alunos, o fato é que esta expansão foi comandada por Dagoberto Blease Jr (presidente do GESI em 1968), que teve em Renato Borba um destacado secretário. Na época eu tinha 10 ou 11 anos e Dagoberto e Renato deveriam ter 17 ou 18 anos. Se eu era uma criança, os dois eram meninos. Na minha visão, porém, eram homens feitos. A grande realização de 1968 ou 1969 foi a FECOLI (Feira Colegial do Livro - fotos acima). Era realizada na Galeria Rio do Ouro e ganhava destaque na cidade durante a semana em que se realizava. Itajaí devia ter algo em torno de 60 mil habit...

GESI

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O GESI (Grêmio Estudantil Salesiano Itajaí) foi um período marcante de meus tempos de política estudantil. Foi o primeiro grande sonho e a primeira grande frustração. Eu era secretário e almejava ser presidente. Era tradição que só se elegia quem fosse candidato pela situação. Por motivos que até hoje não conheço com certeza, não fui candidato pela situação. Uma das versões atribuiu o veto à candidatura pela situação a um pedido de meu pai ao diretor do Colégio, preocupado que estava com o forte "stress" (o termo não era conhecido na época) que a política estudantil me causava e que, talvez, tenha sido uma das causas de duas convulsões que tive por aqueles tempos. Mas não sei se este pedido ocorreu, pois meu pai - nos 4 anos que viveu após a eleição - nunca me confirmou. Enfim, candidatei-me a presidente do Gesi pela oposição e perdi a eleição. Fiquei numa tristeza imensa. Tinha, então, 16 anos (corria o ano de 1973) e o fato me abalou e marcou muito. Mas a política estudanti...

Suspensório

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Uso suspensórios. É cômodo e confortável. Minha mãe dizia que há pessoas que veem a moda como lei. Creio que sim, pois suspensórios de abotoar (como os da foto acima) são mais funcionais e seguros que os de garrinha. Pouquíssima gente usa no Brasil (vejo muito em filmes), donde a moda de não usar suspensório parece ser lei. Talvez por isso, já procurei suspensórios de abotoar de norte a sul do Brasil e só encontro os de garrinha. Já me prontifiquei, junto aos comerciantes que procuro, a garantir a compra do produto. Mas nada! Durante algum tempo, o Correia me quebrou uns galhos e fabricou suspensórios de abotoar ou consertou uns antigos que eu tinha. Pois bem, bastou eu chegar num aeroporto como o de Nova Iorque ou o de Lisboa, que nas próprias dependências do setor de passageiros achei uma loja que vendia suspensórios de abotoar. Na Espanha, encontrei os tais suspensórios na primeira loja do El Corte Inglês que entrei (Santiago de Compostela - que poderia ser Santo Iago também). Quand...

Faixa de Segurança

A experiência tem me mostrado que caminhadas curam mau-olhado, arca caída, ziquizira, zipra, cobreiro, carne rasgada e nó nas tripas. E são um santo remédio para baixar a glicose e o colesterol. Caminho desde os 32 anos. Mas vez por outra tiro férias de caminhadas. Desde que, porém, no começo deste ano, as taxas de glicose e colesterol chegaram no alerta amarelo, suspendi as férias de caminhadas por tempo indeterminado. E caminho quase que diariamente. E diariamente atravesso ruas, sempre pela faixa. No trecho que uso em Blumenau (Praça dos Estudantes, Rótula da Proeb, ops, Vila Germânica) a faixa de pedestres, é vista como ornamento pelos motoristas. O costume não é só de Blumenau, conforme constatou a RBS . Mas se são raríssimos os motoristas que param pra gente atravessar, mais raros ainda são os guardas de trânsito no local. Como existe a prisão especial no Brasil, existe também o tratamento especial aos bandidos do trânsito: espera-se que ajam segundo a consciência e não por medo ...

Ladrão de Galinha

Ainda hoje se usa a expressão "ladrão de galinha" para descrever o pequeno ladrão, o ladrão de coisa pequena. E daí partir-se para a "denúncia" de injustiças: prende-se o ladrão de galinha, mas se solta o grande criminoso, que se apropria de fortunas. Na verdade, nem sempre o ladrão de galinha é inofensivo. Escutei muitas vezes minha mãe contar sobre os estragos que os ladrões de galinha faziam na pacata cidade de Itajaí/SC, nos idos de 1932: de manhã cedo, os vizinhos contavam uns aos outros sobre as galinhas furtadas na noite. Numa destas noites, meu avô saiu de casa, em ceroulas, com uma espingarda na mão, dando tiros para cima, tentando espantar os larápios que estavam pondo o galinheiro em pânico. Dias depois, contava ainda minha mãe, sabia-se de alguém oferecendo galinhas, que transportava numa carroça cheia delas; ou então corria a notícia de um lauto almoço, para animado grupo de amigos, onde o prato principal eram galinhas em abundância. Vê-se que o ladrão...