Religião e Estado 45 (no L. 4 das Ordenações Filip.)
África 24 -
Prossigo descrevendo os gangas citados na obra de CAVAZZI.
O ganga Nconi adotava o mesmo nome da divindade cuja imagem carregava pendurada em sua cintura. Ele diagnosticava doenças e as curava. Mas esta cura nem sempre era exitosa, porque Nconi prescrevia regras difíceis de serem cumpridas e pagamentos muito altos.
Nzazi era outro ganga que também curava, mas dependia de Nconi, com quem se consultava. Depois da consulta, colocava quatro imagens de divindades no pescoço do doente, um sino e mais alguns objetos. Como Nzazi também prescrevia ao doente comportamentos muito difíceis de serem seguidos, nem sempre o doente se curava.
Ngodi curava os surdos, mas nunca o conseguiu.
Nsambi era especializado na cura de uma doença que deixava manchas brancas na pele dos infectados, aos quais ministrava uma espécie de licor. CAVAZZI diz que este licor não curava, mas sim o pó feito da casca de uma árvore que, colocado sobre a pele dos doentes, fazia secar os tumores.
O Ganga Embungula era conhecido pela qualidade de seu assobio, capaz de atrair pessoas para, depois, escravizá-las.
O ganga Mnene se apoderava do maiz ou trigo turco, mas fazia as pessoas acreditarem que eram as divindades que consumiam.
Macuta e Matamba eram gangas que atuavam em conjunto, como curandeiros. Do mesmo modo e com a mesma habilidade atuavam Ngulungù e Nbazi. Todavia, também havia hostilidades entre estes gangas.
Também atuavam juntos os gangas Npungù, Cabonzo (ou Cabanco) e Iffacù. Npungù era destinado à guerra. Mas era sensível a venenos das armas, de modo que Cabonzo era o preparador de antivenenos. E Iffacù curava os dois primeiros em caso de envenenamento. Cabonzo levava a efeito um ritual, em que, junto com auxiliares, entoava preceitos, quebrava certas coisas durante metade de um dia, para, ao final, em novo coro de vozes, afugentar os venenos.
(Esta é uma continuação do excerto do texto de Daniel PRECIOSO, a respeito da obra Descrição histórica dos três reinos: Congo, Matamba e Angola, de Giovanni CAVAZZI (na edição portuguesa, o nome de CAVAZZI foi traduzido, ficando João António Cavazzi de Montecúccolo). Ver também sobre a obra de CAVAZZI, A construção do discurso de Giovanni Antonio Cavazzi sobre a África do século XVII, de Ingrid Silva de Oliveira.
O texto de Daniel PRECIOSO se intitula Religiões centro-africanas pela ótica de um capuchinho: rituais, objetos sagrados e sacerdotes na Istorica Descrizione (1687), de Giovanni Cavazzi, cujo original está na Revista de fontes, v. 12, n. 22 - Guarulhos, junho de 2025 - ISSN 2359-2648, pp. 134-164. Após uma análise que PRECIOSO faz do livro de CAVAZZI, há uma transcrição da obra a partir da p. 142.
Também é uma continuação aos prolegômenos à abordagem do tema Religião e Estado no Livro 4 do Código Filipino)
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